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    Papa Francisco aprova bênção a casais do mesmo sexo desde que não façam parte de rituais ou liturgias

    Decisão histórica foi assinada pelo Papa Francisco

    Papa Francisco conduz audiência geral semanal na Praça de São Pedro, no Vaticano
    Papa Francisco conduz audiência geral semanal na Praça de São Pedro, no Vaticano 08/11/2023REUTERS/Guglielmo Mangiapane

    Reuters

    O Vaticano disse nesta segunda-feira (18), em uma decisão histórica aprovada pelo Papa Francisco, que os padres católicos romanos podem administrar bênçãos a casais do mesmo sexo, desde que não façam parte de rituais ou liturgias regulares da Igreja.

    Um documento do escritório doutrinário do Vaticano, que efetivamente reverteu uma declaração que o mesmo órgão havia emitido em 2021, diz que tais bênçãos não legitimariam situações irregulares, mas seriam um sinal de que Deus acolhe a todos.

    Entretanto, o texto pontua que não deve de forma alguma ser confundido com o sacramento do casamento heterossexual.

    O documento ressalta que os sacerdotes devem decidir caso a caso e “não devem impedir ou proibir a proximidade da Igreja às pessoas em todas as situações em que possam buscar a ajuda de Deus através de uma simples bênção”.

    O papa deu a entender que uma mudança oficial sobre o assunto estava em andamento em outubro, em resposta a questões apresentadas por cinco cardeais conservadores no início de um sínodo de bispos no Vaticano.

    Embora a resposta anterior tenha sido mais sutil, o documento de oito páginas divulgado nesta segunda-feira (18), cujo título é “Sobre o significado pastoral das bênçãos”, explicitou situações específicas.

    Uma seção de 11 páginas foi intitulada como “Bênçãos de casais em situações irregulares e de casais do mesmo sexo”.

    A Igreja ensina que a atração pelo mesmo sexo não é pecaminosa, mas os atos homossexuais são. Desde sua eleição, em 2013, Francisco tentou tornar a Igreja mais acolhedora às pessoas LGBTQIA+, sem mudar a doutrina moral da instituição.

    O Padre James Martin, um proeminente padre jesuíta americano que ministra à comunidade LGBT, chamou o documento de “um grande passo em frente no ministério da Igreja” para eles.

    Em publicação no X Martin disse que o documento “reconhece o desejo profundo de muitos casais católicos do mesmo sexo pela presença de Deus nas suas relações amorosas”, acrescentando que “juntamente com muitos padres, terei agora o prazer de abençoe meus amigos em uniões do mesmo sexo”.

    Oposição de conservadores

    A decisão desta segunda-feira certamente encontrará oposição dos conservadores, que já criticaram o papa quando ele fez os primeiros comentários sobre o assunto em outubro.

    Ulrich L. Lehner, professor de teologia da Universidade de Notre Dame, nos Estados Unidos, afirmou que a nova orientação do escritório doutrinário “convida a mal-entendidos e semeará confusão”.

    Expressando preocupação de que alguns bispos usariam isso como pretexto para fazer o que é explicitamente proibido, o professor acrescentou: “é, e odeio dizê-lo, um convite ao cisma”.

    O documento, cujo título latino é Fiducia Supplicans (Suplicante de Confiança), destaca que a forma da bênção “não deve ser fixada ritualmente pelas autoridades eclesiais para evitar confusão com a bênção própria do Sacramento do Matrimônio”.

    Complementa ainda que pode ser aplicada àqueles que “não reivindicam uma legitimação do seu próprio estatuto, mas que imploram que tudo o que é verdadeiro, bom e humanamente válido nas suas vidas e nas suas relações seja enriquecido, curado e elevado pela presença do Espírito Santo”.

    “Em última análise, uma bênção oferece às pessoas um meio de aumentar a sua confiança em Deus”, explicou, adicionando que “deve ser nutrida, não impedida”.

    O documento diz que a bênção não deve estar vinculada ou cronometrada com uma cerimônia de casamento civil e ser realizada sem nenhuma das “roupas, gestos ou palavras próprias de um casamento”.

    Os locais para tais bênçãos, disse, podem ser “em outros contextos, como uma visita a um santuário, um encontro com um sacerdote, uma oração recitada em grupo ou durante uma peregrinação”.

    A decisão foi assinada pelo cardeal Victor Manuel Fernandez, chefe do Dicastério para a Doutrina da Fé do Vaticano, e aprovada pelo papa em uma audiência privada com Fernandez e outro funcionário do escritório doutrinário nesta segunda-feira (18).