Veja as diferenças entre os arsenais bélicos da Coreia do Norte e Coreia do Sul

Península coreana abriga grande quantidade de material bélico em países divididos por fronteira militarizada

Coreia do Norte faz lançamento de míssil de sistema ferroviário
Coreia do Norte faz lançamento de míssil de sistema ferroviário 16/09/2021KCNA via REUTERS

Germán Padingerda CNN

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Em menos de três horas, o céu sobre a península coreana e suas águas contíguas foram perfurados por três mísseis balísticos.

A Coreia do Norte disparou primeiro: dois mísseis balísticos não identificados caíram – no meio de um teste – nas águas a leste da península às 12h38 e 12h43 no horário local (23h38 e 23h43 ET) na quarta-feira (15), de acordo com a Guarda Costeira Japonesa.

Então foi a vez da Coreia do Sul, que pouco menos de três horas após o primeiro teste de armas de seu vizinho testou um míssil balístico que atingiu o alvo “com precisão”, disse o Ministério da Defesa sul-coreano.

Nesse caso havia uma novidade: era um novo míssil balístico (SLBM) lançado de um submarino submerso, o Dosan Ahn Changho. A Coreia do Sul não dominou essa tecnologia até agora.

Em meio a esses testes de crossover, quais arsenais têm a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, países que se enfrentam há décadas e compartilham uma península cercada pela China, Rússia e Japão?

Tensões renovadas, história latente

Este recente teste de troca de armas renovou as tensões na península coreana, que parece não ter tido tréguas desde a guerra de 1950-1953 que levaria à sua divisão.

Naquela época, a República da Coreia (Coreia do Sul), apoiada por uma coalizão da ONU liderada pelos Estados Unidos, entrou em confronto com a República Popular Democrática da Coreia (Coreia do Norte), auxiliada pela China e com o apoio da União Soviética.

A guerra terminou com um armistício assinado entre a Coreia do Norte, China e a ONU – a Coreia do Sul se recusou a assinar – que permanece até hoje.

E na fronteira entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul, em torno do paralelo 38, funciona a chamada Zona Desmilitarizada (DMZ), patrulhada pelos dois países.

Armas nucleares da Coreia do Norte

Tensões e ameaças ocasionais continuaram durante a Guerra Fria, mas a situação atingiu um nível impensável quando a Coreia do Norte conduziu seu primeiro teste nuclear em 2006, tornando-se o último país do mundo a confiscar um arsenal atômico.

Desde então, realizou um total de seis testes nucleares, de acordo com a Nuclear Threat Initiative (NTI), o último em 2017.

De acordo com estimativas do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), acredita-se que o país tenha entre 40 e 50 ogivas nucleares.

A Coreia do Sul, por outro lado, não possui armas nucleares. Embora tenha o apoio militar dos Estados Unidos, que mantém bases no país.

Estoque de mísseis balísticos

Pyongyang também acelerou o desenvolvimento de mísseis balísticos de curto, médio e intermediário alcance, bem como de alcance intercontinental (ICBM) e mísseis balísticos lançados por submarino. Esses mísseis, especialmente ICBMs, podem transportar ogivas explosivas convencionais e ogivas nucleares.

Segundo dados do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), a Coreia do Norte possui atualmente 14 modelos de mísseis balísticos operacionais – incluindo o Hwasong-14, com alcance estimado em 10.400 quilômetros – e outros sete em desenvolvimento.

Como consequência desses desenvolvimentos em armas com capacidade nuclear e do avanço de seu programa atômico – proibido pelo Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), que a Coreia do Norte deixou em 2003, entre outros acordos – a ONU impôs inúmeras sanções à Coreia do Norte – a última em 2017 – assim como Estados Unidos.

A Coreia do Norte rejeitou essas sanções e acusou os Estados Unidos de aumentar as tensões.

“A posse de armas nucleares e ICBMs é uma opção legítima de autodefesa em face da ameaça nuclear clara e real representada pelos Estados Unidos”, disse o ministro das Relações Exteriores, Ri Yong Ho, em 2017.

A Coreia do Sul, por outro lado, mantém 9 modelos de mísseis balísticos operacionais – incluindo uma nova versão do míssil Hyunmoo-2B, lançado de um submarino esta semana – e outros dois em desenvolvimento, de acordo com o CSIS.

De soldados, tanques e submarinos

Quanto às forças convencionais, tanto a Coreia do Norte quanto a do Sul mantêm grandes exércitos, de acordo com a pesquisa Global Firepower.

No caso da Coreia do Norte, pode implantar 1,3 milhão de soldados, quase 1.000 aeronaves (incluindo aeronaves de ataque, bombardeiros, transportes e caças), mais de 6.000 tanques e 36 submarinos.

Já a Coreia do Sul mantém cerca de 600 mil soldados, 1.500 aeronaves (incluindo aeronaves de ataque, bombardeiros, transportadores e caças), 2.000 tanques e 22 submarinos, entre outras armas.

(Texto traduzido. Leia aqui o original em inglês.)

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