Venezuela diz que apresentará queixa contra os EUA no Conselho de Segurança
Regime de Nicolás Maduro afirma que fala de Donald Trump sobre operações da CIA viola o direito internacional
O Ministério das Relações Exteriores da Venezuela informou nesta quarta-feira (15) que apresentará uma queixa contra os Estados Unidos no Conselho de Segurança da ONU e ao secretário-geral da organização.
A queixa será feita nesta quinta-feira (16) e acontece em meio ao aumento da tensão entre os dois países.
Nesta quarta, Donald Trump confirmou ter autorizado operações da CIA, a agência de inteligência americana, na Venezuela.
A chancelaria venezuelana afirmou que as declarações "belicosas e extravagantes" de Trump violam o direito internacional e a Carta da ONU.
O regime de Nicolás Maduro disse que os ataques contra barcos no Caribe e o uso da CIA são uma operação de "mudança de regime", que teria como objetivo apreender os recursos petrolíferos do país.
O presidente dos Estados Unidos justificou a medida alegando que há muitas drogas sendo enviadas do país sul-americano para os EUA.
"Temos muitas drogas chegando da Venezuela, e muitas das drogas venezuelanas chegam pelo mar, então vocês podem ver isso, mas vamos detê-las também por terra", afirmou o presidente.
Leia a nota da Venezuela na íntegra:
"República Bolivariana da Venezuela
Comunicado
A República Bolivariana da Venezuela rejeita as declarações belicosas e extravagantes do Presidente dos Estados Unidos, nas quais ele admite publicamente ter autorizado operações para agir contra a paz e a estabilidade da Venezuela.
Esta declaração sem precedentes constitui uma grave violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas, e obriga a comunidade internacional a denunciar essas afirmações claramente imoderadas e inconcebíveis.
Observamos com extremo alarme o uso da CIA, bem como os anunciados deslocamentos militares para o Caribe, que constituem uma política de agressão, ameaças e assédio contra a Venezuela.
É evidente que tais manobras buscam legitimar uma operação de "mudança de regime" com o objetivo final de apreender os recursos petrolíferos venezuelanos. Além disso, as declarações do presidente dos EUA buscam estigmatizar a migração venezuelana e latino-americana, alimentando uma retórica perigosa e xenófoba.
Na reunião extraordinária de chanceleres da CELAC, convocada pela Presidência Pro Tempore da Colômbia, a Venezuela apresentou formalmente esta queixa e exigiu uma resposta regional imediata.
Amanhã, nossa Missão Permanente na ONU apresentará esta queixa ao Conselho de Segurança e ao Secretário-Geral, exigindo a responsabilização do governo dos Estados Unidos e a adoção de medidas urgentes para impedir uma escalada militar no Caribe, zona declarada pela CELAC em 2014.
A comunidade internacional deve compreender que a impunidade por esses atos terá consequências políticas perigosas que devem ser interrompidas imediatamente.
Caracas, 15 de outubro de 2025"


