Venezuela falhou em operar defesa aérea russa contra os EUA, diz NYT

Analistas avaliaram que equipamentos não estavam conectados ao radar; alguns componentes ainda estariam armazenados

Da CNN Brasil
Radar de alerta antecipado P-18-2M implantado na Ilha Margarita, na Venezuela, apareceu em imagens da FANB  • Brigada de Defesa Aérea Marítima e Insular via Instagram
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O ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela no dia 3 de janeiro chamou atenção de alguns analistas pela aparente facilidade com que as forças americanas conseguiram entrar na capital Caracas com dezenas de aeronaves, capturar Nicolás Maduro e a esposa e sair da cidade sem nenhuma perda.

Segundo autoridades americanas, uma aeronave chegou a ser atingida, mas continuou operacional. Além disso, alguns soldados sofreram ferimentos, mas nenhum corria risco de morte.

Era de conhecimento geral o uso de sistemas de defesas aéreas soviéticas e russas na Venezuela. Fotos divulgadas pelos militares venezuelanos recentemente revelaram um radar de alerta antecipado P-18-2M e sistema de mísseis terra-ar S-125.

Isso faria com que uma invasão aérea ao país fosse, de certa forma, um desafio, algo que aparentemente não se mostrou efetivo na realidade.

Segundo apuração do jornal NYT (The New York Times) com autoridades americanas, os sistemas de defesa aérea sequer estavam conectados ao radar quando os helicópteros dos EUA invadiram o país.

"A Venezuela não conseguiu manter e operar o S-300 — um dos sistemas antiaéreos mais avançados do mundo — bem como os sistemas de defesa Buk, deixando seu espaço aéreo vulnerável", destacou a reportagem.

Além disso, uma análise do NYT baseada em fotos, vídeos e imagens de satélite indicou que alguns componentes do sistema de defesa aérea ainda estavam armazenados, e não operando, no momento do ataque dos EUA.

Soldados da Venezuela limpam sistema de mísseis terra-ar S-125 • Zona Operativa de Defensa Integral 51 via Instagram
Soldados da Venezuela limpam sistema de mísseis terra-ar S-125 • Zona Operativa de Defensa Integral 51 via Instagram

Na semana passada, Pete Hegseth, secretário de Defesa dos Estados Unidos, já havia zombado da situação, afirmando: "Parece que as defesas aéreas russas não funcionaram muito bem, não é?".

Segundo ex-autoridades e analistas ouvidos pelo jornal, os sistemas antiaéreos da Venezuela estavam essencialmente desconectados e podem não ter estado em operação por anos.

A Venezuela parece ter tido dificuldades para manter o equipamento russo, frequentemente ficando sem peças de reposição e sem o conhecimento técnico necessário para reparar ou operar o equipamento militar, disseram os quatro altos funcionários americanos ao NYT.

Yaser Trujillo, um analista militar na Venezuela, analisou em entrevista ao NYT que as "tropas não foram dispersas, o radar de detecção não foi ativado, implantado ou estava operacional".

"Foi uma cadeia de erros que permitiu aos Estados Unidos operar com facilidade, enfrentando uma ameaça muito baixa do sistema de defesa aérea venezuelano", adicionou.

Parcela de culpa da Rússia

Outro ponto destacado pelo New York Times é que autoridades e especialistas avaliam que a Rússia também teve uma "parcela de responsabilidade" pela falha na operação dos sistemas de defesa aérea na Venezuela.

Isso porque instrutores e técnicos russos teriam que garantir que o sistema estivesse totalmente operacional e ajudar a mantê-lo assim.

"De fato, duas ex-autoridades americanas argumentaram que a Rússia pode ter deixado discretamente que o equipamento militar vendido à Venezuela se deteriorasse, para evitar um conflito maior com Washington", pontua o texto.

"Se os militares venezuelanos tivessem abatido uma aeronave americana, disseram eles, as consequências para a Rússia poderiam ter sido significativas", finaliza.