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    Viagem de Bolsonaro não é encontro de Estados, mas de indivíduos, diz especialista

    Em entrevista à CNN, Carlos Gustavo Poggio, doutor em Relações Internacionais, analisou a ida de Jair Bolsonaro à Rússia

    Ludmila CandalTiago Tortellada CNN

    Em entrevista à CNN nesta terça-feira (15), Carlos Gustavo Poggio, doutor em Relações Internacionais, afirmou que as visitas de Bolsonaro à Rússia e à Hungria não se baseiam em relações de Estado, mas em relações entre indivíduos.

    “A questão é que o próprio presidente Bolsonaro tem adotado uma política externa desde o começo do mandato não baseada na relação entre Estados, mas entre indivíduos”, afirmou Poggio.

    “Essa visita à Hungria indica que o Brasil não está indo para a Rússia com uma relação apenas Estado para Estado, mas indivíduos nos quais Bolsonaro crê que possa ter afinidade ideológica”, acrescentou o especialista.

    Poggio afirmou que o encontro, do ponto de vista diplomático, não é um problema –tanto em circunstâncias “normais” quanto em um ambiente de alta tensão como o de agora–, pois a Rússia é um aliado do Brasil e há um histórico de encontros entre os presidentes dos dois países.

    Porém essa questão da relação entre indivíduos mostra “inconsistência na política externa” brasileira.

    “Principal ilustração disso é que começou o governo dele [Bolsonaro] batendo continência para a bandeira americana, dizendo que queria relação com os EUA – quando na verdade era uma relação com Trump -, e agora tem uma relação antagônica com os Estados Unidos. Começa o mandato batendo continência para a bandeira americana e termina nos braços do Vladimir Putin”, disse.

    Poggio também analisa que o presidente russo tem uma visão estratégica das relações internacionais. Pensando na disputa com os Estados Unidos, a Rússia se aproxima de países como Cuba, Venezuela e Nicarágua.

    “Isso não tem nada a ver com esquerda ou direita. Ele [Putin] apoia Maduro, na Venezuela, e se encontra agora com Bolsonaro”. afirmou.

    Por fim, o especialista disse que “Bolsonaro não tem muito a perder. Politicamente, ele tem a ganhar. Mostra, em um ano de eleição, que não está isolado do ponto de vista diplomático”.

    “Não vejo, nem do ponto de vista do interesse brasileiro nem do interesse pessoal de Bolsonaro, razões suficientes de que ele deveria cancelar essa visita a Putin”, complementou.