"Violação grave", diz ONU sobre ataque de Israel contra jornalistas em Gaza
Seis profissionais da comunicação, quatro deles do canal Al Jazeera, morreram no domingo (10)
O Escritório de Direitos Humanos da ONU condenou nesta segunda-feira (11) o assassinato de seis jornalistas palestinos em Gaza, afirmando que as ações do exército israelense representaram uma “grave violação do direito internacional humanitário”.
#Gaza: We condemn the killing by Israeli military of 6 Palestinian journalists by targeting their tent, in grave breach of international humanitarian law. #Israel must respect & protect all civilians, including journalists. At least 242 Palestinian journalists were killed in Gaza… pic.twitter.com/Y6nTHcHQ2B
— UN Human Rights (@UNHumanRights) August 11, 2025
Um proeminente jornalista da Al Jazeera, que havia sido ameaçado por Israel, foi morto juntamente com cinco colegas em um ataque aéreo israelense no domingo (10), em uma ofensiva condenado por jornalistas e grupos de direitos humanos.
Al Sharif, de 28 anos, estava entre um grupo de quatro jornalistas da Al Jazeera e um assistente que morreram em um ataque a uma tenda perto do Hospital Al Shifa, no leste da Cidade de Gaza, disseram autoridades de Gaza e a Al Jazeera.
Uma autoridade do hospital afirmou que outras duas pessoas também foram mortas no ataque.
O exército israelense afirmou ter atacado e matado Anas Al Sharif, alegando que ele liderava uma célula militante do Hamas.
A Al Jazeera, financiada pelo governo do Catar, rejeitou a afirmação e, antes de morrer, Al Sharif também havia rejeitado tais alegações de Israel.
Entenda a guerra na Faixa de Gaza
A guerra na Faixa de Gaza começou em 7 outubro de 2023, depois que o Hamas lançou um ataque terrorista contra Israel.
Combatentes do grupo radical palestino mataram 1.200 pessoas e sequestraram 251 reféns naquele dia.
Então, tropas israelenses deram início a uma grande ofensiva com bombardeios e por terra para tentar recuperar os reféns e acabar com o comando do Hamas.
Os combates resultaram na devastação do território palestino e no deslocamento de cerca de 1,9 milhão de pessoas, o equivalente a mais de 80% da população total da Faixa de Gaza, segundo a UNRWA (Agência das Nações Unidas para os Refugiados Palestinos).
Desde o início da guerra, pelo menos 61 mil palestinos foram mortos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza. O ministério, controlado pelo Hamas, não distingue entre civis e combatentes do grupo na contagem, mas afirma que mais da metade dos mortos são mulheres e crianças. Israel afirma que pelo menos 20 mil são combatentes do grupo radical.
Parte dos reféns foi recuperada por meio de dois acordos de cessar-fogo, enquanto uma minoria foi recuperada por meio das ações militares.
Autoridades acreditam que cerca de 50 reféns ainda estejam em Gaza, sendo que cerca de 20 deles estariam vivos.
Enquanto a guerra avança, a situação humanitária se agrava a cada dia no território palestino.
Segundo a ONU, passa de mil o número de pessoas que foram mortas tentando conseguir alimentos, desde o mês de maio, quando Israel mudou o sistema de distribuição de suprimentos na Faixa de Gaza.
Com a fome generalizada pela falta da entrada de assistência na Faixa de Gaza, os relatos de pessoas morrendo por inanição são diários.
Israel afirma que a guerra pode parar assim que o Hamas se render, e o grupo radical demanda melhora na situação em Gaza para que o diálogo seja retomado.


