Virginia Giuffre abre processo contra o príncipe Andrew, alegando abuso sexual

No processo, Giuffre alega que foi vítima de tráfico sexual e que o príncipe Andrew praticou abusos quando ela tinha 17 anos

Sonia Moghe e Laura Ly, da CNN

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Virginia Roberts Giuffre abriu um processo contra o príncipe Andrew por suposto abuso sexual, de acordo com documentos do tribunal federal ajuizados na segunda-feira (9).

Giuffre, uma suposta vítima de Jeffrey Epstein, já havia dito publicamente que foi forçada a praticar atos sexuais com o príncipe Andrew da Grã-Bretanha. Ela disse à BBC em 2019 que foi traficada por Epstein e forçada a ter relações sexuais com seus amigos, incluindo o Duque de York, quando ela era menor de idade.

O Palácio de Buckingham negou as alegações em uma declaração à CNN na época, dizendo “É enfaticamente negado que o Duque de York teve qualquer forma de contato ou relacionamento sexual com Virginia Roberts. Qualquer alegação em contrário é falsa e sem fundamento”.

Em uma entrevista à BBC de novembro de 2019, o príncipe Andrew disse que nunca conheceu Giuffre e sugeriu que uma foto dos dois pode ter sido adulterada.

Em seu processo, Giuffre alega que o príncipe Andrew abusou sexualmente dela a convite de Epstein e Ghislaine Maxwell quando ela era menor e que ocorreram casos de suposto abuso sexual na casa de Maxwell, em Londres, na casa de Epstein, em Manhattan, e na ilha particular de Epstein nas Ilhas Virgens dos Estados Unidos.

“O Príncipe Andrew cometeu abuso sexual e agressão à requerente quando ela tinha 17 anos. Como tal, o Príncipe Andrew é responsável por agressão e inflição intencional de sofrimento emocional de acordo com a lei comum de Nova York. O dano à requerente foi grave e duradouro”, afirma o processo.

Virginia Roberts Giuffre abriu um processo contra o príncipe Andrew
Virginia Roberts Giuffre abriu um processo contra o príncipe Andrew por suposto abuso sexual, de acordo com documentos do tribunal federal.
Foto: Getty Images

A CNN procurou representantes do Príncipe Andrew para comentar. A CNN também procurou um advogado de Maxwell para comentar as acusações contra ela no processo.

Giuffre acusa o príncipe Andrew no processo de saber sua idade e de saber que ela era uma vítima de tráfico sexual sendo forçada a praticar atos sexuais com ele. Giuffre disse temer desobedecer Epstein, Maxwell e o príncipe Andrew “devido às suas conexões poderosas, riqueza e autoridade”, afirmam documentos do tribunal.

O ex-procurador dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York, Geoffrey Berman, afirmou em janeiro de 2020 que o Príncipe Andrew não cooperou com as tentativas de depoimento sobre Epstein.

“Até o momento, o Príncipe Andrew forneceu cooperação zero”, disse Berman na época.

Os promotores federais solicitaram um depoimento em junho de 2020 com o príncipe Andrew como parte de sua investigação sobre a suposta quadrilha de tráfico sexual antes operada por Epstein, disse uma fonte à CNN na época.

Fotografia parece mostrar o Príncipe Andrew com a acusadora de Jeffrey Epstein
Fotografia que parece mostrar o Príncipe Andrew com a acusadora de Jeffrey Epstein, Virginia Roberts Giuffre e, ao fundo, Ghislaine Maxwell.
Foto: Tribunal Distrital do Sul da Flórida

Sigrid McCawley, uma advogada de Giuffre, disse à CNN em um comunicado que “o registro desta queixa prova que independentemente de poder, privilégio ou mesmo ser um príncipe, ninguém está acima da lei nos Estados Unidos e todos os perpetradores de abuso devem ser responsabilizados”.

Giuffre pede indenização “em um valor a ser determinado em julgamento”, bem como honorários advocatícios e outras medidas adicionais “que o tribunal julgar justo e adequado”, de acordo com a ação.

Epstein foi indiciado por tráfico sexual de menores e conspiração por se envolver em acusações de tráfico sexual de menores em julho de 2019, das quais ele se declarou inocente. Ele foi encontrado morto em sua cela no centro de detenção federal de Manhattan no mês seguinte.

Maxwell foi acusada em 2020 por seu suposto papel no recrutamento, planejamento e abuso sexual de meninas menores de 14 anos e, posteriormente, acusações de tráfico sexual. Ela se declarou inocente de todas as acusações.

Amir Vera e Lauren Kent, da CNN, contribuíram para esta reportagem.

Texto traduzido, leia o original em inglês.

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