Vivemos caos, mas há esperança, diz brasileiro que atua em resgate na Turquia
À CNN Rádio, Léo Farah, capitão da reserva do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e co-fundador da ONG HUMUS, detalhou operação de resgate após terremoto que atingiu Turquia e Síria

“A extensão dos danos é gigantesca”.
É o que conta o capitão da reserva do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais e co-fundador da ONG HUMUS Léo Farah, que está na Turquia há sete dias para buscar vítimas do terremoto que atingiu a região.
Entre turcos e sírios, já são mais de 41 mil mortos.
Em entrevista à CNN Rádio, Farah relatou que a situação é “muito grave” e difícil até de visualizar.
“Há 500 mil habitantes que não têm onde ficar, 90% dos prédios foram destruídos e o restante está inabitável, o cenário é caótico.”
Segundo ele, este é o “último dia da janela de sobrevivência”. Os especialistas consideram um máximo de 10 dias, que apresenta 2% de chance de as pessoas estarem vivas.
“Há construções que não foram totalmente checadas, há chance de encontrarmos vítimas vivas”, informou.
O resgatista afirmou que o número de mortos vai crescer e que se deparou com vários corpos, mas que não puderam fazer a retirada para não perder tempo e focar nas vítimas.
“A melhor definição seria caos como rotina, não há descanso ou alimentação, nenhum dia foi igual ao outro.”
Ele conta que a equipe está há 7 dias sem banho, por exemplo, pois não há abastecimento de água.
Farah esteve nos desastres de Mariana, Brumadinho, Haiti e de um ciclone em Moçambique, mas disse que “nunca viu situação parecida na vida.”
O capitão da reserva disse que é preciso um preparo psicológico enorme: “Como dormir sabendo que em alguém vivo debaixo dos escombros? Mas é necessário entender que é preciso descansar e hidratar.”
Léo Farah citou a “mentalidade do herói” para a sobrevivência: “De entender que o propósito é maior do que a dor, compreender que em algum momento vai ter alívio e esperança de conseguir vencer o inimigo que é o tempo, é isso que faz com que as pessoas sobrevivam.”
Tática de busca por sobreviventes
Farah informou que há técnicas empregadas para identificar vivos.
A primeira delas é a “escuta”: resgatistas gritam e batem no chão, depois há um silêncio absoluto para ver se a vítima responde.
“Pedimos batidas de forma racional, três vezes, para não confundir com escombro se acomodando.”
A segunda é com a utilização do sonar: “Posicionamos alguns sonares sob os escombros e eles têm capacidade grande de perceber ruído, mesmo daqueles que não conseguem gritar, mas raspar a mão no concreto.”
A terceira usa câmeras térmicas que penetram e mostram pontos de calor.
Ele ressalta, porém, que os “equipamentos são caros” e que algumas equipes de países como Estados Unidos, Coreia do Sul e da China.
*Com produção de Bruna Sales


