Voo de oportunidade: saiba como foi a repatriação de brasileiros da Cisjordânia

Operação começou com o que a diplomacia descreve como "voo de oportunidade", quando se aproveita uma possibilidade logística para conseguir atender 32 cidadãos e impedir uma viagem de voo "vazio"

Gabriela Prado, da CNN, em Brasília
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A operação para a repatriação de 32 brasileiros da Cisjordânia foi feita em menos de cinco dias, um tempo considerado ágil, inclusive para os brasileiros se organizarem para a saída do território palestino.

Fontes do Itamaraty contaram à CNN que o passo a passo começou com o que a diplomacia descreve como "voo de oportunidade", quando se aproveita uma possibilidade logística para conseguir atender cidadãos e impedir uma viagem de voo "vazio".

Na semana passada, a Força Aérea Brasileira (FAB) informou que precisava fazer a troca da aeronave presidencial que aguardava os brasileiros em Gaza.

Segundo fontes, o Itamaraty foi informado que o avião precisa de manutenção recorrente e que ela precisa ser feita em território brasileiro. A aeronave estava fora do país desde 12 de outubro, quando primeiro pousou em Roma, na Itália, e depois no Egito para repatriar brasileiros que estão na Faixa de Gaza.

Na segunda-feira (30), a aeronave para a troca partiu do Brasil com duas toneladas de mantimentos doados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para civis na Faixa de Gaza.

A partir dessa informação, a diplomacia começou a montar a operação para a retirada dos brasileiros na Cisjordânia.

A negociação envolveu o governo da Jordânia para o pouso da aeronave e também para a entrada de estrangeiros. Os brasileiros, assim como outros estrangeiros que passam pelo território jordaniano depois do início do conflito, têm 24 horas para deixar o país.

A representação brasileira em Ramallah procurou as pessoas interessadas em serem repatriadas que tiveram menos de três dias para organizar os pertences.

A partir da Cisjordânia, foram seis horas de viagem até Amã para o embarque dos brasileiros. A aeronave deve pousar às 5h30, desta quinta-feira (2) na Base Aérea de Brasília.

Considerada uma operação sem planejamento padrão, agora, a expectativa dos integrantes da diplomacia brasileira é de que a partir da saída dos primeiros brasileiros da Cisjordânia, outros cidadãos podem procurar a Embaixada para repatriação. A possibilidade de novos voos não está definida, mas também não está descartada.

A diplomacia brasileira orientou os cidadãos nacionais a retornarem da Cisjordânia a partir do dia 21 de outubro, em voos comerciais. Apesar da área não ter urgência de conflito, brasileiros começaram a procurar também a Embaixada para fazer a repatriação. Na região, vivem cerca de 6 mil brasileiros.

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