Waack: Trump adota em Cuba mesma estratégia usada com Maduro

A exigência do presidente americano é de que o regime cubano, que ainda conta com influência de Raúl Castro, deixe de ser o que é

William Waack
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A figura de Raúl Castro, o ex-presidente e ex-chefão do Partido Comunista de Cuba, representa bem o que é hoje o regime naquela ilha. Raúl, irmão do carismático Fidel, está com 94 anos, em frágil estado de saúde, quase surdo, e com dificuldades de se expressar.

Mantém ainda enorme poder sobre as forças armadas e, principalmente, a polícia secreta e política, sem a qual nenhum regime comunista jamais sobreviveu em parte ou época alguma. Mas ainda assim, Raúl tem influência em negociações meio secretas, meio abertas, que o atual governo americano tentou levar adiante com o regime cubano. E que não chegaram a lugar algum.

Pois a exigência básica do presidente americano, Donald Trump, é que o regime cubano deixe de ser o que é, "senão....". Senão o quê?

Um porta aviões americano está se aproximando da ilha no Caribe depois do governo americano ter indiciado o próprio Raúl Castro por assassinato e conspiração para matar americanos,as mesmas ações que precederam a captura do ditador venezuelano, Nicolas Maduro, no começo do ano.

Governos comunistas já foram tirados do poder por meios pacíficos. Isto aconteceu na Europa, mas envolveu a negociação e durante algum tempo até divisão de poderes com forças de oposição internas.

Algo em que a ditadura cubana de fato se esmerou – em reprimir, prender, censurar. Cuba chegou ao ponto no qual virou um agudo caso de crise humanitária. Não inspira mais nada, a não ser pena pelo sofrimento de tanta gente que tem de viver ali.

O que Trump vai fazer disso tudo? Talvez nem ele mesmo ainda saiba.