William Waack

Waack: Trump apanha nas urnas e se complica na alta Corte

A combinação entre a perda de influência política e derrotas eleitorais significativas representa o primeiro grande obstáculo para Donald Trump

William Waack
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Um ano após vencer as eleições presidenciais nos Estados Unidos, Donald Trump enfrenta agora o seu pior momento político. Seu partido foi amplamente derrotado em eleições estaduais por candidatos democratas, enquanto o comportamento recente de juízes da Suprema Corte sugere — ainda que apenas de forma preliminar — uma possível disposição para reduzir os poderes do presidente de impor tarifas de maneira unilateral.

A combinação entre a perda de influência política e derrotas eleitorais significativas representa o primeiro grande obstáculo a uma expansão que, até então, parecia irreversível do modo de governar característico de Trump. As derrotas em três votações foram contundentes e amplamente interpretadas como uma rejeição às agendas trumpistas, sobretudo na área econômica, em meio ao temor de um retorno da inflação.

Em Nova York, o vencedor foi um candidato socialista e muçulmano, impulsionado principalmente pela elevada participação eleitoral — embora o estado nova-iorquino não seja considerado representativo do cenário político nacional. Já em estados como Virgínia e Nova Jersey, as vitórias democratas sobre os republicanos foram consideradas avassaladoras e se estenderam por diversos grupos étnicos, sociais e faixas etárias, unidos pelo desejo comum de rejeitar a agenda presidencial.

Na cidade-símbolo do capitalismo global, o que explica em grande parte a vitória do candidato socialista e muçulmano é o forte aumento do custo de vida. Nos demais estados em que o Partido Republicano foi derrotado, porém, os vencedores democratas apresentavam perfis distintos — políticos de centro, com apelo que ultrapassa as pautas tradicionais do partido.

Fiel ao seu estilo, Donald Trump ofereceu uma única e sucinta explicação para as três derrotas: “Meu nome não estava nas cédulas.”