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    Xi diz a Putin que China apoia esforços para resolver crise na Ucrânia pelo diálogo

    Presidente russo teria dito que está disposto a manter conversações de alto nível com os ucranianos

    Presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, durante encontro em Moscou.
    Presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e da China, Xi Jinping, durante encontro em Moscou. Reuters

    Polina Devittda Reuters

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    O presidente chinês, Xi Jinping, disse ao presidente russo, Vladimir Putin, que a China apoia a Rússia nos esforços para resolver a crise na Ucrânia através do diálogo, informou a televisão estatal chinesa CCTV.

    Os líderes falaram por telefone nesta sexta-feira, disse a emissora.

    A CCTV ainda informou que Putin teria dito que a Rússia está disposta a manter conversações de alto nível com a Ucrânia.

    “Os Estados Unidos e a Otan há muito tempo ignoram as preocupações razoáveis da Rússia com a segurança, repetidamente renegaram seus compromissos e continuaram a avançar com o envio de militares para o leste, desafiando os resultados estratégicos da Rússia”, disse Putin a Xi, segundo a emissora.

    “A Rússia está disposta a conduzir negociações de alto nível com a Ucrânia”, acrescentou

    Após a ligação, o Kremlin informou que Putin concordou em abrir negociações com o governo ucraniano após o presidente do país, Volodymyr Zelensky, dizer que está pronto para discutir a “neutralidade da Ucrânia”.

    “Notificamos os ucranianos de uma proposta para falar sobre [o acordo] de Minsk”, diz uma das mensagens do governo russo.

    Putin também ligou para Aleksandr Lukashenko, presidente da Bielorrússia, para organizar conversas com a Ucrânia, finaliza a mensagem do Kremlin sobre o assunto.

    O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que a Rússia está pronta para enviar uma delegação a Minsk, capital da Bielorrússia, para conversas com a Ucrânia, informou a agência de notícias estatal russa RIA-Novosti, que a Ucrânia disse estar “considerando”.

    “Como você sabe, hoje o presidente da Ucrânia anunciou sua disposição para discutir o status neutro da Ucrânia”, disse Peskov, segundo a RIA. “Inicialmente, o presidente russo Vladimir Putin disse que o objetivo da operação era ajudar a LPR e a DPR [Repúblicas Populares de Donetsk e Luhansk, estados separatistas no leste da Ucrânia recentemente reconhecidos pela Rússia como independentes], inclusive por meio da desmilitarização e desnazificação da Ucrânia. E isso, de fato, é um componente integral do status neutro”, disse Peskov.

    O acordo de Minsk de 2015 foi elaborado na capital da Bielorrússia em uma tentativa de encerrar o que era então um conflito sangrento de 10 meses no leste da Ucrânia. Mas nunca foi totalmente implementado, com seus principais problemas ainda não resolvidos.

    No início da tarde desta sexta-feira (25), em uma mensagem de vídeo, Zelensky pediu conversas diretas com Putin. Ele não propôs diretamente o status neutro, mas sinalizou a disposição de discuti-lo, enquanto insiste que a Ucrânia receba garantias de segurança.

    “Hoje ouvimos de Moscou o que eles querem falar. Eles querem falar sobre o status neutro da Ucrânia. Perguntei a todos os parceiros do Estado se eles estão conosco. Eles estão conosco, mas eles não estão prontos para nos fazer uma aliança com eles. Não temos medo de falar com a Rússia, não temos medo de falar sobre tudo, sobre garantias de segurança para nosso país. Não temos medo de falar sobre status neutro”, acrescentou Zelensky.

    Na quinta-feira (24), em um vídeo divulgado em seu perfil do Facebook, Zelensky disse ter conversado com 27 líderes europeus sobre a entrada da Ucrânia na Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e que não recebeu respostas. “Estão todos com medo.”

    O presidente ucraniano também afirmou, pela primeira vez, que estava aberto a discutir qualquer questão com a Rússia, inclusive a neutralidade da Ucrânia.

    Entenda o conflito

    Após meses de escalada militar e intemperança na fronteira com a Ucrânia, a Rússia atacou o país do Leste Europeu. No amanhecer desta quinta-feira (24), as forças russas começaram a bombardear diversas regiões do país – acompanhe a repercussão ao vivo na CNN.

    Horas mais cedo, o presidente russo, Vladimir Putin, autorizou uma “operação militar especial” na região de Donbas (ao Leste da Ucrânia, onde estão as regiões separatistas de Luhansk e Donetsk, as quais ele reconheceu independência).

    O que se viu nas horas a seguir, porém, foi um ataque a quase todo o território ucraniano, com explosões em várias cidades, incluindo a capital Kiev.

    De acordo com autoridades ucranianas, dezenas de mortes foram confirmadas nos exércitos dos dois países.

    Em seu pronunciamento antes do ataque, Putin justificou a ação ao afirmar que a Rússia não poderia “tolerar ameaças da Ucrânia”. Putin recomendou aos soldados ucranianos que “larguem suas armas e voltem para casa”. O líder russo afirmou ainda que não aceitará nenhum tipo de interferência estrangeira.

    Esse ataque ao ex-vizinho soviético ameaça desestabilizar a Europa e envolver os Estados Unidos.

    A Rússia vem reforçando seu controle militar em torno da Ucrânia desde o ano passado, acumulando dezenas de milhares de tropas, equipamentos e artilharia nas portas do país.

    Nas últimas semanas, os esforços diplomáticos para acalmar as tensões não tiveram êxito.

    A escalada no conflito de anos entre a Rússia e a Ucrânia desencadeou a maior crise de segurança no continente desde a Guerra Fria, levantando o espectro de um confronto perigoso entre as potências ocidentais e Moscou.

    (Com informações de Sarah Marsh e Madeline Chambers, da Reuters, e de Eliza Mackintosh, da CNN)

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