A longa mesa de Putin: espanhol e italiano disputam a autoria da peça

Vicente Zaragozá e Renato Pologna garantem que fizeram a mesa onde Putin sentou com Emmanuel Macron e Olaf Scholz quando os recebeu - à distância de mais de quatro metros - no Kremlin

Bárbara Cruz, da CNN
O presidente russo Vladimir Putin em encontro com chanceler alemão Olaf Scholz, em Moscou  • Anadolu Agency via Getty Images
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Foi na semana passada, quando Vladimir Putin recebeu o presidente francês Emmanuel Macron, que foram divulgaram as primeiras imagens da longa mesa branca à qual se sentaram os líderes russo e francês. Com cada um na sua ponta, ficava assim garantido o distanciamento suficiente em período pandêmico, já que Macron recusou a fazer teste de Covid-19 em Moscou.

Com um comprimento de mais de quatro metros, a mesa rapidamente se tornou metáfora da distância entre russos e o ocidente na gestão da crise ucraniana. E, quando o chanceler alemão foi recebido no Kremlin, já nesta semana, a mesa voltou a aparecer, pelos mesmos motivos: Olaf Scholz seguiu o exemplo do líder francês e não quis testar-se na Rússia, pelo que foi obrigado a sujeitar-se aos rígidos protocolos do Kremlin para conter a Covid-19.

A mesa foi dispensada apenas quando Putin recebeu o presidente brasileiro, já que Bolsonaro não teve problemas em ser testado pelos médicos do Kremlin.

Mas a longa mesa de Putin voltou, ainda assim, a ser tema de conversa, desta vez por motivos inusitados: perante tanta divulgação, duas empresas - uma espanhola e outra italiana - vieram publicamente assumir a autoria da peça de mobiliário.

O valenciano Vicente Zaragozá disse a uma rádio espanhola que reconheceu imediatamente o seu trabalho na mesa. Proprietário de uma empresa homônima com sede na localidade de Alcàsser, na Comunidade Valenciana, revelou emocionado que trabalha há anos para o mercado russo e que a primeira coisa que fez, quando viu a mesa em imagens que deram a volta ao mundo, foi procurar as imperfeições "para melhorar" algo, se precisasse.

O empresário revelou ainda que fez vários trabalhos para as antigas nações soviéticas, inclusive uma cozinha para o presidente do Uzbequistão.

Mas o discurso do espanhol não passou despercebido a Renato Pologna, o dono da Oak, uma empresa familiar italiana com sede em Como e que se diz estupefacto com as declarações de Zaragozá.

"Sinceramente, nem sei o que dizer, porque eu fiz este trabalho em 1995-96 e foram divulgadas fotos da mesa em vários livros, na maioria russos, que foram publicados no ano 2000", afirmou.

"Este homem, que não conheço, diz que fez a mesa em 2005, logo há algo errado. Nós temos todos os certificados de prova do trabalho feito e até o reconhecimento do presidente de então, Boris Yeltsin", acrescentou Pologna, citado pelo jornal "The Guardian".

Até ao momento, não se sabe quem tem razão, mas o italiano admite que a empresa espanhola de Zaragozá possa ter feito uma cópia da mesa original. "Estamos falando de uma mesa, não de um avião", concluiu.

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