Hidratante não é tudo igual: veja como escolher o melhor para sua pele
O tipo de pele, a idade, o clima e até algumas doenças dermatológicas influenciam na escolha do hidratante corporal mais adequado

Passar hidratante faz parte da rotina de cuidados de muitas pessoas, mas nem todo produto tem a mesma composição ou atende às mesmas necessidades. O tipo de pele, a idade, o clima e até algumas doenças dermatológicas influenciam na escolha do hidratante corporal mais adequado. Entender os principais ingredientes da fórmula ajuda a fazer uma escolha mais eficiente e evitar produtos que não entregam o resultado esperado.
Mas, antes de explicar como escolher um hidratante, é importante entender que sua principal função é preservar a barreira de proteção da pele, reduzindo a perda de água e mantendo a hidratação natural. Quando essa barreira está comprometida, a pele tende a ficar áspera, opaca, sensível e pode até apresentar coceira ou descamação.
Os hidratantes costumam reunir três grupos principais de ativos:
- Umectantes: que atraem água para a camada mais superficial da pele. Entre os mais conhecidos estão a glicerina, o ácido hialurônico, a ureia e o pantenol.
- Emolientes: responsáveis por suavizar a pele e preencher os espaços entre as células. Óleos vegetais, manteiga de karité, esqualano e ceramidas fazem parte desse grupo.
- Oclusivos: que criam uma barreira para diminuir a evaporação da água. Petrolato, óleo mineral e lanolina são alguns dos ingredientes mais utilizados.
A combinação desses componentes varia de acordo com a proposta de cada produto e, embora a hidratação seja recomendada para todos, as necessidades mudam conforme as características de cada tipo de pele.
Pele seca ou ressecada
Quem tem pele seca costuma apresentar sensação de repuxamento, descamação e aspereza. Nesses casos, são recomendadas fórmulas mais densas, ricas em ceramidas, manteiga de karité, glicerina, ureia em baixas concentrações e petrolato.
Esses ingredientes ajudam a restaurar a barreira cutânea e reduzem a perda de água ao longo do dia.
Em casos de ressecamento intenso, mais comum em idosos, durante o inverno ou em pessoas com dermatite atópica, podem ser indicados hidratantes com maior poder de oclusão e ativos reparadores.
Produtos com ureia em concentrações mais elevadas costumam ser indicados pelos dermatologistas, mas é preciso atenção se a pele for muito sensível.
“Na pele seca, a gente indica produtos em creme, que possuem uma textura um pouquinho mais grossa e costumam ser mais nutritivos”, acrescenta Luana Vieira Mukamal, dermatologista da Kora Saúde.
Pele oleosa
Ao contrário do que muita gente imagina, quem tem pele oleosa também precisa cuidar da hidratação, mas a diferença está na textura do produto indicado.
“Para a pele oleosa, indicamos produtos em gel ou gel-creme para a pessoa não ficar com aquela sensação da pele muito pegajosa”, acrescenta Mukamal.
Pele sensível
Pessoas com pele sensível devem priorizar fórmulas com poucos ingredientes, livres de fragrâncias e corantes, para reduzir o risco de irritações. Ingredientes calmantes, como aveia coloidal, pantenol e ceramidas, costumam ser os mais indicados.
“A gente também pode usar substâncias como niacinamida, que é anti-inflamatória. E quem tem tendência à dermatite também deve usar produtos com menos conservantes, corantes e fragrâncias”, detalha Mukamal.
O momento certo para aplicar
Os especialistas recomendam aplicar o hidratante logo após o banho, quando a pele ainda está úmida. Esse hábito ajuda a reter a água presente na superfície da pele, potencializando o efeito do produto.
Banhos muito quentes e demorados devem ser evitados. A água em alta temperatura remove parte da camada lipídica natural da pele, favorecendo o ressecamento.
Além disso, é indicado que o hidratante seja usado todos os dias. Isso ajuda a manter a integridade da barreira cutânea e pode prevenir desconfortos como coceira, rachaduras e descamação.
“O ideal é aplicar o hidratante de 1 a 4 vezes por dia, dependendo do grau de secura. De uma forma geral, pedimos para os pacientes usarem uma vez por dia, depois do banho, e em outras vezes ao longo do dia, independentemente”, acrescenta Cristiano Kakihara, dermatologista.
Em épocas de clima seco ou frio, a frequência pode ser ainda mais importante, já que fatores ambientais aumentam a perda de água pela pele.
“Hidratantes corporais podem ser usados nas áreas extra-faciais de qualquer pessoa, com poucos riscos de causar alergia, desde que os produtos sejam hipoalergênicos e com pH final em torno de 5,5. Entretanto, a maior parte dos produtos prontos contém essência, corante e não respeita o pH da pele. Assim, o consumidor deve ler o rótulo atentamente ou pedir ajuda do dermatologista”, diz Kakihara.
O que observar no rótulo
Na hora da compra, dermatologistas orientam que o consumidor fique atento ao rótulo do produto. Entre os ingredientes que costumam indicar boa capacidade de hidratação estão:
• Glicerina;
• Ceramidas;
• Ácido hialurônico;
• Pantenol;
• Ureia;
• Esqualano;
• Manteiga de karité
• Óleo de amêndoas, de uva ou de macadâmia
“Estes ativos puxam água do meio ambiente para as camadas mais superficiais da pele, além de retê-la, permitindo que a pele mantenha sua hidratação e oleosidade”, acrescenta Kakihara.
Quando procurar um dermatologista
Se a pele permanece muito ressecada mesmo com o uso diário de hidratantes, apresenta coceira intensa, fissuras, feridas ou áreas persistentes de descamação, a avaliação médica é importante.
Em alguns casos, o ressecamento pode estar associado a doenças de pele, alterações hormonais ou outras condições de saúde que exigem tratamento específico.


