Mulheres negras lideram salões de beleza, mas sofrem com desigualdade
Estudo revela desigualdades de gênero, raça e reconhecimento da profissão no Brasil

O Dia do Cabeleireiro é comemorado no Brasil nesta segunda-feira (3). A profissão é uma das mais representativas e diversas do Brasil, segundo o estudo “Na raiz do PRO — Um retrato do brilho, das conquistas e dos anseios dos profissionais cabeleireiros”, realizado pela Divisão de Produtos Profissionais do Grupo L’Oréal em parceria com a consultoria Provokers.
O levantamento traça um retrato inédito da categoria, que movimenta mais de R$ 130 bilhões por ano e tem papel central na economia e na autoestima dos brasileiros.
Os dados mostram que as mulheres são maioria nos salões de beleza — elas representam 62% dos profissionais do setor. Além disso, 52% se declaram pretas ou pardas, revelando o protagonismo das mulheres negras na construção de um dos mercados mais inclusivos do país.
O estudo também aponta que 15% dos cabeleireiros se identificam como LGBTQIAP+, índice 2,5 vezes superior ao da população geral.
Apesar da diversidade, as desigualdades persistem. Homens ganham em média 19% a mais que mulheres; pessoas brancas recebem 21% a mais que negras; e heterossexuais têm rendimentos 23% superiores aos de profissionais homossexuais.
“Diversidade e inclusão fazem parte do DNA dessa profissão. O salão é um espaço de acolhimento, protagonismo e expressão. Mas ainda vemos disparidades de gênero, raça e orientação sexual, que seguem sendo um desafio”, avalia Eduardo Paiva, Head de Diversidade, Equidade & Inclusão do Grupo L’Oréal no Brasil.
A pesquisa também revela que o trabalho nos salões vai muito além da estética: ele é instrumento de transformação social. Quase metade dos profissionais (46%) afirma ter sonhado desde cedo em seguir a carreira, e 87% desejam continuar nela, movidos pela autonomia e pelo prazer de transformar vidas. Mesmo assim, 56% sentem que a sociedade ainda vê a profissão como um “caminho fácil”, e 31% já sofreram julgamento por sua escolha.
“Não existe talento sem preparo. O PRO, como chamamos o cabeleireiro, é um artista e um técnico. Mas ainda existe muito preconceito em torno da profissão. Reconhecer o caminho árduo de estudos e preparo é o primeiro passo para transformar a percepção da sociedade”, afirma Joana Fleury, diretora da Divisão de Produtos Profissionais da empresa responsável pelo estudo.

A formação é um dos temas mais sensíveis. Embora não haja cursos superiores ou técnicos específicos reconhecidos, 74% dos cabeleireiros afirmam ter buscado capacitação formal antes de começar a atuar.
“Formação é a base da valorização de qualquer profissão. Espero que o diagnóstico sirva de base para políticas e programas estratégicos que fortaleçam a categoria e ampliem seu reconhecimento”, defende Débora Maciqueira, diretora de Educação da divisão.
Entre os exemplos de protagonismo, destaca-se Vivi Siqueira, mulher preta e única entre os dez maiores cabeleireiros do Brasil segundo o levantamento.
“Ser cabeleireiro não é apenas cortar ou colorir cabelos, é transformar vidas. É sobre reconhecimento, pertencimento e bem-estar. Sem dúvidas, esse estudo é um convite à sociedade para enxergar a nossa categoria como ela merece: uma força criativa, econômica e social”, afirma a profissional.
A renda média de um cabeleireiro formal é de R$ 5.950, valor acima da média nacional per capita de R$ 2.069. Entre donos de salões, o ganho chega a R$ 11.200 mensais, e entre autônomos, R$ 4.950. Os números comprovam que o setor oferece oportunidades reais de crescimento e estabilidade financeira.


