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"O Filho de Mil Homens": como foi a caracterização de Rodrigo Santoro?

À CNN, Martín Macías Trujillo, responsável pela caracterização, conta que o processo levava cerca de 1h20, com a pele do rosto ganhando marcas de sol, rugas, manchas e melasma

Caroline Ferreira, da CNN Brasil
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O filme "O Filho de Mil Homens", primeira adaptação de um livro de Valter Hugo Mãe, estreou na Netflix na última quarta-feira (19), sendo interpretada por Rodrigo Santoro, no papel de Crisóstomo, um pescador solitário que, aos 40 nos, sonha em ser pai e sofre com o vazio da ausência de um filho.

Em busca de um relacionamento verdadeiro, ele encontra um menino órfão, chamado Camilo, personagem de Miguel Martins, e passa a criá-lo. Juntos, eles constroem uma família atípica e singular. No enredo, o público acompanha não apenas a beleza e a complexidade das relações humanas, como aceitação e a construção de novos laços familiares.

À CNN, Martín Macías Trujillo, responsável pela caracterização do longa, diz que o processo de transformação de Santoro exigiu uma pesquisa intensa. "Comecei a investigar muitas imagens de pescadores e fui analisando as idades. Como é o rosto de alguém que foi exposto ao sol durante grande parte da vida?".

Para isso, recorreu a colega de equipe, Chris McNew, e à inteligência artificial para conseguir um rosto próximo ao do ator, com as características necessárias. "Levava cerca de 1h20 a caracterização. A pele do rosto ganhava marcas de sol, rugas, manchas, melasma. Já o tórax, braços e pernas eram amorenados para remeter ao sol", disse.

Martin também criava uma marca de camiseta na pele. "Achei muito legal mostrar essa diferença de cor quando ele colocava camisas mais folgadas, ter aquele colarinho mais escuro e sempre avermelhados do sol", acrescentou.

Já os cabelos foram desestruturados com pontos de megahair e ganhou uma tonalidade mais clara, enquanto os dentes precisavam parecer menos cuidados do que os do Rodrigo. "Ele contribuiu muito com a caracterização e trouxe até uma prótese", recorda o profissional que adotou o recurso que "quebrava" um pouco os dentes de uma parte da boca, para que o restante ficasse amarelado.

Manuela Mello, figurinista da obra, conta ainda ter feito uma pesquisa sobre pescadores ao redor do mundo, mas o foco, no entanto, foi o universo oriental. "Em paralelo, o Daniel me contou que o próprio Rodrigo também estava levando para o personagem aspectos orientais, um minimalismo, um conceito de wabi-sabi (filosofia e estética japonesa que valoriza a imperfeição e simplicidade), do não desperdício, de usar as coisas que estão perto. Foi muito interessante".

“A calça dele é de tecido de sacaria, que provavelmente é um tipo de coisa que se encontra no barco, na feira, um resto de saco, que poderia ser um saco de cebola", completa.

O figurino de Crisóstomo tinha uma complexidade extra: além de pescador, que usa uma roupa simples, o personagem é um outsider. “Ele é um menino Mogli. Um menino que veio da caverna. Sua mãe foi morta de uma maneira horrorosa e ele se afastou propositalmente da vila onde morava”, contextualiza Manuela.

“A gente pensou que, provavelmente, ele cria a própria roupa e que não fazia sentido trocá-la. A partir do momento que ele encontra o que é funcional, segue com isso", adiciona. "A gente sabia que seria camisa e calça. Fizemos um monte de modelagens possíveis para entender como funcionaria no corpo, se seria mais ajustada ou mais larga", completa.

Por fim, o fechamento da roupa foi outra questão. “Uma camisa tem gola, punho e fecha com botão. Mas o Crisóstomo não precisa disso. Fomos tirando. A roupa dele, porém, deveria fechar. Ele não comprou um botão, mas poderia ter um. A gente fez um botão, que é um fechamento, na verdade, com uma pecinha de cobre, talvez de algum lugar do barco",
lembra Manuela.