Valentino: o que muda na grife de luxo após a morte do fundador
Casa Valentino foi fundada em 1957 e vestiu nomes como Sophia Loren e Jacqueline Kennedy Onassis

Morreu nesta segunda-feira (19) Valentino Garavani, 93, em Roma, na Itália. Sua partida marca a despedida de uma geração que consolidou a “Bota” como grande incubadora de talentos históricos da alta-costura – entre eles Armani, Cavalli e Cerutti.
Tradução de elegância e glamour, o estilista fundou em 1960 a "Maison Valentino", que dominou as passarelas internacionais com suas peças vestidas por grandes personalidades do cinema, autoridades da realeza e celebridades fashionistas.
Destino da casa Valentino
Em meio à série de homenagens e consternação mundial em torno da morte do “último imperador” da alta-costura internacional, uma questão paira no ar: o que muda na grife de luxo após a morte de seu fundador?
Apesar da aparente indefinição sobre os rumos comerciais e conceituais da grife, Valentino estava afastado oficialmente da empresa desde 2008, quando completou 45 anos de carreira à frente da marca criada por ele 1960.
Atualmente, a grife é conduzida pelo diretor criativo Alessandre Michele que assumiu o cargo em março de 2024 – sua gestão é marcada por envolver elementos do romantismo histórico que consagrou a grife nas décadas 1960 e 1970 adaptados a influências dos dias atuais.
Nas redes sociais, Michele homenageou o fundador da grife. “Valentino Garavani não foi apenas um protagonista indiscutível da moda, mas também uma figura central na história cultural italiana. Um homem que ultrapassou os limites do possível, percorrendo o mundo com rara delicadeza, rigor silencioso e um amor infinito pela beleza”.
Futuro da moda de luxo
Para Tamara Lorenzoni, estrategista de marcas no mercado de luxo , esse legado impõe decisões concretas às casas de luxo contemporâneas. “O setor precisará tentar balancear operar como entretenimento cultural de alta rotatividade e como sistema de valor simbólico de longo prazo. O futuro do luxo não está em reproduzir fórmulas, mas em resgatar princípios como autoria, tempo, rigor criativo e inteligência cultural como ativos estratégicos reais”, conclui.
Ela destaca ainda que, com a partida de Valentino Garavani, o luxo perde um de seus maiores arquitetos, e ganha um espelho. “Valentino operava em um modelo de luxo baseado em permanência. Seu trabalho nos lembra que valor, no luxo, não é construído por repetição ou visibilidade excessiva, mas por coerência estética e simbólica ao longo do tempo. Em um cenário cada vez mais orientado por performance de curto prazo, esse tipo de construção se torna raro e, justamente por isso, mais valioso”, analisa.


