Veja as harmonizações de vinho ideais para os pratos da Páscoa
Regiões emergentes como o Cerrado, Sudeste e Nordeste transformam o setor vitivinicultor com tecnologia e pesquisa, oferecendo opções de harmonização para o almoço pascal
Do tradicional ao inovador, o vinho brasileiro está mudando de mapa e atingindo novos estilos. Novas regiões produtoras ganham força com tecnologia, pesquisa e técnicas que permitem que o vinho brasileiro tenha novos sotaques.
Em Brasília, um novo centro de análises e pesquisas deve atender mais de 50 vinícolas e apoiar produtores de regiões emergentes no vinho, como o Cerrado, o Sudeste e até o Nordeste. A estrutura vai permitir análises mais precisas e treinamento técnico, elevando a qualidade da produção nacional.
"O laboratório vem para ampliar essa base de relatos, de relatórios, de exames, de avaliações desses vinhos. Então, nesse momento, é o primeiro passo", explica um especialista do setor.
Este avanço acompanha uma transformação no campo, com técnicas como a dupla poda. "A dupla poda consiste no manejo no parreiral, onde através de duas podas com uma produção, num intervalo de seis meses uma poda da outra, a gente consegue atrasar o ciclo, tirando a produção, maturação da época do verão e colheita do verão para o inverno", detalha um produtor.
O Brasil não é o maior produtor de vinho, mas isso está longe de ser um problema, porque o país é criativo e teimoso, está garantindo a ampliação de fronteira vinícola graças à técnica agrícola da dupla poda. Estamos falando de vinho no Cerrado, na Serra da Mantiqueira, no Sudeste em geral e também na Bahia e em Pernambuco, lá no Vale do São Francisco.
O processo da dupla poda começou a ser desenvolvido e validado no país nos anos 2000. Na época, inverter o ciclo da produção de uvas para meses de menor índice de chuvas e maior amplitude térmica tinha tudo para não funcionar. Só que a criatividade científica e as características de solos brasileiros imperaram. Resultado, 20 anos depois, o Brasil amplia as fronteiras do vinho e da certificação para consolidar uma nova vitivinicultura fora do eixo tradicional.
Dicas de harmonização para a Páscoa
Para o almoço de Páscoa, algumas harmonizações podem fazer toda a diferença. Se o menu incluir peixes, frutos do mar ou bacalhau, a recomendação é optar por vinhos brancos com boa acidez e frescor. "O bacalhau assado com bastante azeite harmoniza muito bem com espumantes brancos. Aí você tira aquela ontuosidade da gordura da boca e fica pronto para mais uma garfada", sugere o apresentador da CNN Stêvão Limana.
Para o salmão, a dica é combinar com rosês de boa procedência, uma harmonização clássica. Já para carnes de cordeiro e carnes vermelhas, a sugestão são tintos mais leves, especialmente em dias de temperatura elevada.
Quanto aos doces típicos da Páscoa, como os chocolates, a recomendação é harmonizar com vinhos doces, como os vinhos do Porto (Tawny ou Ruby), ou outros vinhos naturalmente doces, como os Sauternes e os de colheita tardia (Late Harvest). "Nada de vinho seco, senão vai ficar uma confusão na boca", alerta Stêvão.
A dica final é sempre intercalar as taças de vinho com água, bebendo com moderação para tornar a celebração da Páscoa ainda mais especial.


