Zodiac Core: como os signos estão influenciando moda, decoração e beleza
Busca por identidade e personalização impulsiona o uso da astrologia na estética

A astrologia já não se limita mais a horóscopos em sites ou conteúdos de redes sociais. Ela vem ganhando espaço como uma forma de linguagem visual e identitária que atravessa o cotidiano e influencia escolhas estéticas.
Diante desse contexto, símbolos do zodíaco, elementos dos signos e referências ao mapa astral passaram a impactar diretamente áreas como moda, decoração e beleza. Esse movimento, chamado de Zodiac Core, está ligado a uma procura cada vez maior por personalização, autenticidade e formas de expressar a própria identidade por meio da estética.
Para o astrólogo Gabu Camacho, o fenômeno não é passageiro, mas é reflexo de uma mudança cultural mais profunda ligada à forma como as pessoas constroem a sua identidade.
"A astrologia é uma linguagem simbólica de identidade, que hoje foi melhor entendida como tal. Antes as pessoas perguntavam qual era o seu signo. Hoje elas querem saber qual é a sua estética de Vênus, qual elemento domina o seu mapa ou qual energia representa melhor a sua personalidade. As pessoas entenderam o poder do mapa astral e isso virou uma extensão da imagem pessoal", afirma à CNN Brasil.
Signos e moda
Falando em moda, o Zodiac Core se traduz em um interesse crescente por peças que carregam significados pessoais: joias com símbolos dos signos, roupas inspiradas nos elementos da natureza e coleções que exploram arquétipos astrológicos.
"Existe uma tentativa de transformar características subjetivas em linguagem visual. Um leonino pode buscar algo mais chamativo e solar. Um pisciano tende a se conectar com referências etéreas, fluidas e oníricas. Não porque exista uma regra estética para cada signo, mas porque as pessoas usam esses símbolos para contar histórias sobre si mesmas. Vai além de vestir apenas o símbolo dos signos, as pessoas querem entender qual é a energia que elas possuem e como isso se traduz na expressão da sua subjetividade", explica Gabu.
A influência também chega ao design de interiores, onde cresce o interesse por ambientes com referências espirituais, lunares e astrológicas. Dados de tendências do Pinterest mostram aumento contínuo em buscas por espaços ligados ao bem-estar emocional, com base em análises de comportamento de milhões de usuários. E esse movimento não se limita ao lar: ele também aparece no modo como as pessoas planejam experiências de viagem, com uma busca crescente por destinos que unam estética, espiritualidade e introspecção.
Para o astrólogo, isso revela uma mudança na forma como as pessoas se relacionam com seus próprios espaços.
"Existe um desejo muito forte de transformar o quarto, a sala ou o escritório em um espaço que represente quem você é. Quando alguém cria um ambiente inspirado no signo da sua Lua, na estética do seu Vênus ou baseado em qualquer outro posicionamento do mapa, ela está criando um território emocional."
Astrologia na beleza e no consumo
No setor de beleza, a influência da astrologia já apareceu em coleções de maquiagem, perfumes e produtos de autocuidado.
"É como se fosse traduzir em palavras o que elas pensam, sentem ou fazem. Muitas marcas já perceberam que vender apenas um produto já não basta. As pessoas querem consumir significado. Quando uma paleta de maquiagem é associada a um signo ou um perfume é relacionado a uma energia específica, o produto ganha uma camada emocional muito mais forte", analisa Gabu.
Para o astrólogo, o crescimento do Zodiac Core indica uma transformação mais ampla na forma como as pessoas se expressam na contemporaneidade. Em meio ao excesso de informação e a identidades cada vez mais fluidas, a astrologia também pode ser usada na construção de identidade.
“A astrologia é acessível e, no fundo, vai além dela. Muitos veem como algo supérfluo, mas é o primeiro contato da identidade com o mundo simbólico para muitas pessoas. Estamos falando de pessoas tentando responder quem são e se expressar através da linguagem dos astros. Os signos são uma referência cultural porque oferecem uma narrativa sobre desejos, personalidade e pertencimento, e isso conversa diretamente com a forma como consumimos imagem hoje".


