Prefeitura de SP vai disponibilizar 2.100 leitos em hospitais de campanha


Da CNN, em São Paulo
27 de março de 2020 às 16:46 | Atualizado 27 de março de 2020 às 17:30
Hospital de campanha contra coronavírus em construção no estádio do Pacaembu

Hospital de campanha contra coronavírus em construção no estádio do Pacaembu, em São Paulo

Foto: Reprodução/Universo Drone

O prefeito de São Paulo, Bruno Covas (PSDB), anunciou nesta sexta (27) que disponibilizará mais 725 leitos de UTI e 2.100 leitos comuns em hospitais de campanha para tratar pacientes com o novo coronavírus (COVID-19).

A estimativa é que os locais emergenciais, montados no Estádio do Pacaembu e no complexo do Anhembi, fiquem prontos até a próxima quarta (1º/4) —a construção foi anunciada na última sexta (20). Caso a previsão seja cumprida, os hospitais terão sido concluídos em 11 dias.

Covas disse que a capital paulista entra agora na terceira fase da pandemia. "A primeira foi de prevenção, a segunda de isolamento, e, agora, temos de nos preparar para a explosão de casos e a quantidade de pessoas que vão precisar desses leitos", disse.

O prognóstico é compartilhado pelo secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido. "Estamos a começar o momento mais agudo da pandemia, agora no mês de abril."

Cerca de 2.620 profissionais trabalharão nesses hospitais de campanha. A SPTuris, empresa municipal de turismo da cidade, cedeu uma seção do hotel Holiday Inn, anexo ao Anhembi, para que médicos e enfermeiras descansem. De acordo com a Prefeitura, R$ 50 milhões foram direcionados para a construção dos locais.

Aparecido também anunciou que o município adquiriu 100 mil testes rápidos, e fechou parceria com cinco laboratórios particulares para oferecerem mais 600 testes rápidos diários.

Durante a entrevista coletiva, Covas alfinetou declaração do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). "Embora vemos políticos preocupados com normas da CLT de responsabilização, nossa preocupação é com o artigo 121 do Código Penal —não sermos responsabilizados por nenhum homicídio", disse.

Mais cedo nesta sexta, o presidente afirmou que governadores e prefeitos que decretaram quarentena deverão ressarcir os comerciantes, de acordo com artigo da CLT.

De acordo com o secretário estadual de saúde, José Henrique Germann, o estado de São Paulo tem 1.223 casos confirmados —um crescimento de 14% em relação ao número desta quinta (26). De acordo com os últimos dados do Ministério da Saúde, o país todo tem 3.417 pacientes com COVID-19

Economia ou saúde?

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB)

O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em entrevista coletiva sobre o novo coronavírus

Foto: Reprodução - 27.mar.2020/Governo SP

Bruno Covas negou que haja uma escolha a ser feita entre economia e saúde. "Não adianta abrir comércio se não houver cliente vivo para ir ao comércio", disse.

O governador João Doria concordou, e disse que é hora de ter paciência. "Essa guerra na saúde terá um fim, estamos trabalhando para que seja o mais breve possível. Mas antecipar seu encerramento irresponsavelmente não seria concluir a guerra, mas ampliar vítimas". 

Doria também falou sobre a promoção de buzinaços e protestos online pela volta ao funcionamento normal do comércio. "Essas pessoas estão erradas. Não vamos mudar nosso comportamento, de proteger pessoas e amparar decisões na ciência e em outras experiências positivas em todo o mundo".

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