ACM Neto: presidente desautorizar ministro é inadmissível

Prefeito de Salvador afirmou que procura deixar as questões políticas de lado para lidar com a crise causada pela pandemia do novo coronavírus

Da CNN, em São Paulo
15 de abril de 2020 às 08:47 | Atualizado 15 de abril de 2020 às 09:43

Em entrevista à CNN, nesta quarta-feira (15), o prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM-BA), disse que a situação entre o presidente, Jair Bolsonaro, e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, diante da crise causada pela pandemia do novo coronavírus, é "surreal". "Tudo isso é muito surreal. Se tivéssemos uma condição de normalidade, ver o presidente desautorizar o ministro da Saúde seria inaceitável", disse.

Ele afirmou que todos os gestores do DEM, que também é o partido de Mandetta, estão “absolutamente alinhados com a diretriz” do ministro da Saúde. Para ACM, Mandetta “tem uma condução correta, ponderada e segura da crise”.

Ainda assim, o prefeito declarou que a decisão de demitir ou não o ministro cabe ao presidente. “Ele nomeia, ele exonera.” ACM disse que conversou recentemente com Mandetta e afirmou que ele está muito tranquilo e consciente de que está cumprindo seu papel.

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“Nunca tivemos duas opções, apenas uma: salvar vidas, evitar genocídio. Claro que haverá consequências econômicas na arrecadação e para as pessoas mais pobres. Mas não pode haver debate entre vida e economia. Vida vem em primeiro lugar”, disse ACM.

ACM afirmou que procura deixar as questões políticas de lado para lidar com a crise causada pela pandemia do novo coronavírus. Ele citou que, na Bahia, o governo é chefiado pelo PT, seu adversário, mas que os dois lados estão trabalhando juntos, “somando forças para enfrentar essa grande pandemia”.

Situação “bem controlada”

O prefeito declarou que a situação em Salvador está "bem controlada, com resultados melhores que a média do Brasil". "Isso se deve a decisões preventivas de isolamento social e cancelamento de atividades", disse.

ACM declarou que o foco dos trabalhos em Salvador é proteger as áreas mais pobres e o sistema de saúde local.

Com relação ao repasse de recursos federais a estados e municípios para lidarem com a crise, o prefeito disse que defende o ajuste das contas públicas e o equilíbrio fiscal. Ele afirmou que anunciará ainda nesta quarta-feira uma série de medidas de contenção de despesas, como eliminação de projetos não essenciais e corte de cargos de confiança. 

ACM declarou que o auxílio federal não pode virar “farra fiscal”, mas que se não vier ajuda de Brasília, “pode faltar dinheiro para pagar servidor e bancar o básico”.