Órgão prisional federal quer detentos com sintomas de COVID-19 em contêineres

Para o Departamento Penitenciário Nacional, medida reduziria o risco de disseminação da doença no sistema prisional brasileiro

Estadão Conteúdo
22 de abril de 2020 às 10:25
Penitenciária Estadual de Dourados, no Mato Grosso do Sul
Foto: Karla Mendes - 23.ago.2018/ Reuters

O Departamento Penitenciário Nacional (Depen), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, quer que os presos com sintomas do novo coronavírus sejam isolados em contêineres. 

A medida, segundo o Depen, reduziria o risco de disseminar a doença no sistema prisional brasileiro, que já registra duas mortes pela COVID-19. A proposta será discutida nesta quinta-feira (23), na reunião do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP).

Em nota, o departamento informou que sugeriu ao CNPCP que analise a possibilidade de permitir a utilização de estruturas temporárias para aprimorar as rotinas de separação de presos novos (prisões em flagrante) sintomáticos e os que precisam de atendimento médico durante a pandemia do novo coronavírus. 

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"As estruturas provisórias poderiam ser similares à dos hospitais de campanha, com pré-moldados, barracas de campanha e até mesmo na forma de contêineres habitacionais climatizados, muito utilizados há vários anos na construção civil", segundo o comunicado.

Balanço

De acordo com o Depen, até essa terça-feira (21) o sistema prisional brasileiro registrava 60 casos positivos de COVID-19, 154 suspeitos e 2 mortes confirmadas pelo vírus, sendo uma em São Paulo e uma no Rio de Janeiro. 

A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) disse que, em São Paulo, aqueles que entram no sistema prisional ficam em quarentena nas próprias unidades. "O procedimento já era realizado anteriormente à pandemia", informou a entidade.