Distrito Federal reabrirá comércio a partir de 4 de maio, diz governador

Em entrevista à CNN, Ibaneis Rocha (MDB) diz que decisão foi tomada após analise de dados e preparação da área de saúde; ele nega influência da Presidência

Da CNN, em São Paulo
22 de abril de 2020 às 14:09 | Atualizado 22 de abril de 2020 às 14:26
Foto: Reprodução/CNN

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou nesta quarta-feira (22) que o Distrito Federal retomará grande parte de sua atividade comercial a partir de 4 de maio após avaliação dos dados e o início da testagem em massa em Brasília.

Em entrevista à CNN, o governador afirmou que receberá na quinta-feira (23) protocolos de segurança sugeridos por vários setores da economia. Esses documentos serão analisados pelo governo, que validará, acrescentará ou retirará itens conforme análise técnica.

“Com o início da testagem em massa, ontem, nós temos condições de reabrir o comércio quase integramente no Distrito Federal”, afirmou Rocha. Segundo o político, foram analisados modelos que deram certo em outros lugares do mundo, como Japão, Hong Kong e Cingapura, para determinar os protocolos adotados em Brasília.

Sobre a curva de casos do novo coronavírus na capital federal, Rocha disse que o gráfico está estável e que o Distrito Federal não é mais considerado uma zona de emergência pelo Ministério da Saúde.

“Nós conseguimos com o isolamento ampliar a quantidade de leitos de UTI – hoje estão ocupados só 5% –, zeramos filas e estamos com a rede hospitalar com 50% dos leitos vazios”, disse o governador.  “Além disso, dois dias após a reabertura, teremos a inauguração de nosso hospital de campanha montado no estádio Mané Garrincha.”

Influência do Planalto

O governador do DF negou que tenha sofrido pressão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para acelerar a reabertura de Brasília.

“Posso dizer que fui eleito com extrema liberdade, sem apoio de setores, então faço tudo na minha cidade – falo cidade porque sou nascido aqui – com apoio nos meus técnicos e na minha equipe”, disse Rocha.

Ele disse ainda que a possibilidade de o modelo adotado por Brasília servir para cidades menos atingidas pelo novo coronavírus é motivo de orgulho e mostra que o governo local está no caminho certo. “[Mas] eu coloquei para o presidente que isso não deve servir para onde a pandemia se espalhou, como Manaus, Fortaleza, Recife, o próprio estado de São Paulo e do Rio de Janeiro. São situações completamente diferentes da nossa.”

O governador defendeu também que é preciso harmonia entre todos os poderes na resolução da crise e afirmou que não é momento para polarização política. “É momento de serenidade, de todas as autoridades, do presidente da República, dos governadores trabalharem juntos. Quanto menos polêmica, melhor para a população brasileira”, afirmou.