Moro rebate Bolsonaro e diz que apoiou o presidente no caso Marielle


Da CNN Brasil
25 de abril de 2020 às 12:42 | Atualizado 25 de abril de 2020 às 14:37
O presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça Sergio Moro

O presidente Jair Bolsonaro e o ex-ministro da Justiça Sergio Moro em solenidade em Brasília (17.jun..2019)

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O ex-ministro da Justiça Sérgio Moro voltou a rebater, nas redes sociais, comentários do presidente Jair Bolsonaro sobre a sua saída do governo, anunciada ontem. 

Um um post feito na manhã deste sábado, no perfil que mantém no Twitter, Bolsonaro sugeriu que Moro teria sido ingrato, pois ele [o presidente] o apoiou no momento em que opositores o atacaram após vazamento de mensagens da operação Lava Jato.

“A VazaJato começou em junho de 2019. Foram vazamentos sistemáticos de conversas de Sérgio (sic) Moro com membros do MPF [Ministério Público Federal]. Buscavam anular processos e acabar com a reputação do ex-juiz. Em julho, PT e PDT pediram prisão dele. Em setembro, cobravam o SFT. Bolsonaro no desfile do dia 7 fez isso”, diz o texto, acompanhado por uma foto do presidente com as mãos no ombro do ex-aliado.

Em resposta na mesma rede social, Moro afirmou que também apoiou o presidente quando ele foi “injustamente atacado” por acusações envolvendo sua família no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco. Ele também avaliou que essas são questões pessoais e não institucionais.

“Sobre reclamação na rede social do Sr. Presidente quanto à suposta ingratidão: também apoiei o PR [presidente] quando ele foi injustamente atacado”, escreveu Moro, que adicionou uma reportagem da época à postagem. A matéria mostrava documentos em que Moro contestava as acusações envolvendo Bolsonaro no caso Marielle e pedia mais investigações da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal. 

“Mas preservar a PF de interferência política é uma questão institucional, de Estado de Direito, e não de relacionamento pessoal”, continuou o ex-minsitro.

Em seu pronunciamento, Bolsonaro disse: “Isso é interferir na Polícia Federal? Será que pedir à PF, quase que implorar, via ministro, para que fosse apurado o caso Marielle no caso porteiro da minha casa... Quase que por acaso descobrimos, pedimos ao meu filho ir na portaria e filmar a secretária eletrônica. Talvez até hoje ficasse a dúvida para todos que eu poderia estar envolvido nisso.”