Onze médicos morreram em SP por COVID-19, apontam sindicatos

Maioria dos profissionais trabalhava na rede municipal, em hospitais de bairros da periferia

Daniel Motta, da CNN em São Paulo
27 de abril de 2020 às 22:59 | Atualizado 27 de abril de 2020 às 23:19
Profissional da saúde em UTI para pacientes de COVID-19 (27.abr.2020)
Foto: Diego Vara/Reuters

Onze médicos morreram em São Paulo vítimas de COVID-19, três somente nos últimos cinco dias. A maioria dos profissionais trabalhava na rede municipal, em hospitais de bairros da periferia. Os dados são do Sindicato dos Médicos (Simesp), da Secretaria Municipal de Saúde e do Sindicato dos Trabalhadores Públicos da Saúde da rede estadual (SindSaúdeSP).

De acordo com os dados do Simesp, a primeira morte foi registrada no dia 25 de março, e a última neste domingo (26). O primeiro médico que morreu, segundo levantamento do sindicato, foi o anestesiologista Djamir Gomes, 74 anos, em Santos, no litoral paulista. Na capital, a primeira morte foi a do hematologista do Samu, Paulo Fernando Palazzo, de 56 anos, que morreu no dia 5 deste mês.

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Da última quinta-feira (23) até este domingo, somente a sexta-feira (24) não houve registro de morte de médicos.

“Quinta-feira foi registrada a perda do médico Elismar Almeida, ortopedista de 57 anos, que trabalhava no Hospital Regional de Ferraz de Vasconcelos.  E esse final de semana teve mais duas grandes perdas. O médico Edson Yukinari Takeda, de 55 anos e neste domingo (26), o médico cirurgião Paulo Gonçalves, de 56 anos que também perdeu a batalha contra o COVID-19”, informa a nota do SindSaúde.

Além de São Paulo, as mortes aconteceram nas cidades de Jundiaí, Mogi das Cruzes, Barueri e Santo André. Os sindicatos acreditam que os números sejam maiores. 

“O SindSaúde-SP reforça que essas informações não são oficiais, são dados que chegam por meio de trabalhadores e trabalhadoras, que estão atuando nessas unidades. O Sindicato por diversas vezes em mesa negociação cobrou da Secretaria de Estado da Saúde (SES) a divulgação dos dados oficiais de afastamentos e das mortes”, disse em nota. 

A Secretaria de saúde municipal confirmou os dados. Já a secretaria do Estado disse que não tem um levantamento por profissão das vítimas de COVID-19. 

Enfermagem 

O número de mortos da área de enfermagem também aumentou em São Paulo. Até esta segunda-feira, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) contabilizava 12 mortes confirmadas no Estado. No Brasil a entidade levantou que 43 profissionais morreram.