66 cidades de São Paulo tentaram flexibilizar regras de isolamento social

João Doria teme que atitude dos municípios provoque uma disparada no número de casos e de mortes

Roberta Russo, Bruno Oliveira e Alexa Meirelles da CNN em São Paulo
15 de maio de 2020 às 20:42
Mesmo com determinação para isolamento, pessoas se aglomeram na região do Ibirapuera, em São Paulo
Foto: Taba Benedicto - 9.mai.2020/Estadão Conteúdo

Dados exclusivos obtidos pela produção da CNN revelam que, desde o dia 24 de março, 66 cidades do estado de São Paulo já tentaram flexibilizar o decreto determinado pelo governador João Doria. Desse grupo, 38 voltaram atrás depois de intervenções do Ministério Público ou por recomendação da Secretaria de Desenvolvimento Regional.

Ainda de acordo com os números que a CNN teve acesso, sete cidades - Cananéia, Matão, Pirassununga, Santa Cruz do Rio Pardo, Salesópolis, Penápolis e São José dos Campos – flexibilizaram a quarentena estadual ao seguirem o decreto do governo federal que, nesta semana, incluiu nos serviços essenciais as academias, salões de beleza e barbearia. São José dos Campos é um dos municípios que mais desperta preocupação por ser considerada estratégica no combate a pandemia por estar na rota entre São Paulo e Rio de Janeiro.

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Segundo o secretário de desenvolvimento regional, Marco Vinholi, baseado em patamares internacionais, as cidades não têm segurança para incluir esses serviços na lista de essenciais e foram alertadas sobre o perigo de flexibilizar as atividades. “Muitas cidades que tomaram atitudes parecidas deram passos atrás ao verem os números aumentarem. Importante lembrar que as cidades menores têm pouca estrutura de hospitais e UTIs”, explicou.

O secretário ressaltou também a preocupação com a rápida disseminação do vírus por todo o estado. Atualmente, mais de 450 municípios já têm registro do novo coronavírus. A Baixada Santista, onde mais de 20% da população tem mais de 60 anos e o turismo nas praias aumentou os casos da Covid-19 durante os últimos feriados, é a segunda mais impactada em números absolutos de casos e em número absoluto de óbitos, com crescimento superior à 68% em maio.