Campanha do governo liga isolamento a violência doméstica

Ministra Damares Alves disse que governo tem registros de que em alguns estados morreram mais mulheres por feminicídio do que por Covid-19

Da CNN, em São Paulo
15 de maio de 2020 às 12:12 | Atualizado 15 de maio de 2020 às 15:14
Ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves
Foto: Marcos Corrêa - 15.mai.2020/PR

Uma campanha de prevenção à violência doméstica lançada nesta sexta-feira (15) liga casos de agressão ao isolamento da quarentena em razão da pandemia do novo coronavírus. A ministra Damares Alves, da pasta da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, afirmou que muitas crianças, adolescentes, mulheres, idosos e pessoas com deficiência estão sofrendo com abusos e agressões neste momento pois “estão presos com seus agressores”.

Durante o lançamento da Campanha de Conscientização e Enfrentamento à Violência Doméstica, nesta sexta, Dia Internacional da Família, em Brasília, Damares afirmou que “infelizmente nesse momento a família está em sofrimento” em razão das mortes causadas pela Covid-19. Segundo ela, países da Ásia e da Europa registraram um aumento significativo no número de casos de violência doméstica em meio à pandemia. 

“Tomamos medidas acertadas muito antes da quarentena, mas o fenômeno se repetiu”, disse a ministra, ressaltando que o que mais preocupa o governo é a subnotificação de casos. “Com a decretação de quarentena em vários estados e municípios, agressores e vítimas passaram a conviver juntos 24 horas”, afirmou ela.

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Segundo Damares, o Disque 100 (Disque Direitos Humanos) e o Ligue 180 (Central de Atendimento à Mulher em Situação de Violência) apresentaram números “que assustam”. “O Ligue 180 em abril: 35% a mais de denúncias de violência contra a mulher. No Disque 100 é o contrário: 18% caiu a denúncia de violência contra a criança”, indicando que essa queda se deu pois a descoberta da maioria desses episódios se dá nas escolas e creches, que estão fechadas neste momento.

A ministra afirmou ainda que “95% das denúncias registradas na ouvidoria apontam violência contra mulheres, crianças, adolescentes, idosos e pessoas com deficiência”, nesta ordem.

Ela informou que, de acordo com o Fórum Nacional de Segurança Pública, houve um aumento de 44,9% de violência contra mulheres em São Paulo durante a pandemia, de 600% no número de ocorrências no Acre, de 34,1% nos registros de lesão corporal dolosa e de 54,3% de ameaça no Rio Grande do Norte. "Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Pará também registram aumento em todos os índices."

Damares disse também que o governo tem registros de que em alguns estados morreram mais mulheres por feminicídio do que por Covid-19, e citou o Mato Grosso do Sul. Ela ressaltou que o objetivo da Campanha de Conscientização e Enfrentamento à Violência Doméstica é fazer as pessoas denunciarem.

As denúncias podem ser feitas por telefone (Disque 100 ou Ligue 180 - gratuitos e funcionam 24 horas por dia, inclusive finais de semana e feriados), site da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos ou por meio do aplicativo gratuito "Direitos Humanos Brasil". "Ela pode fazer imagem, filmar e mandar na hora a imagem para nós, que inclusive antecipa a prova", afirmou a ministra.

Ela declarou que agora as pessoas com deficiência auditiva também poderão ligar no Disque 100 e denunciar quando sofrerem violência doméstica. "Vai ser atendida 24 horas do outro lado, não por robô, mas por um atendente especialista formado em intérprete de libras"

Realizado em Brasília, o evento contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro, da primeira-dama, Michelle Bolsonaro, do ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, do ministro-chefe da Casa Civil, general Braga Netto, do ministro da Justiça, André Mendonça, e da secretária nacional da Família, Angela Martins.