Empresário suspeito de fraudar saúde no RJ tem R$ 902 mi em contratos no estado

Mario Peixoto foi preso em desdobramento da Operação Lava Jato

Leandro Resende Da CNN no Rio de Janeiro
15 de maio de 2020 às 09:45 | Atualizado 15 de maio de 2020 às 10:37

Empresas ligadas ao empresário Mario Peixoto, preso na quinta-feira (15) pela força-tarefa da Lava Jato no Rio, possuem R$902 milhões em contratos ativos com o governo do Rio de Janeiro. Os serviços prestados são variados, e vão de limpeza e manutenção predial a contratação de motoristas para atender autarquias estaduais. 

De acordo com o Ministério Público Federal, há indícios de que Peixoto tenha pago propina para conselheiros do Tribunal de Contas do estado para conseguir contratos de gestão de unidades de saúde e, que ainda hoje, os contratos em vigor são mantidos em decorrência do pagamento de vantagens indevidas a funcionários públicos. 

O levantamento dos contratos foi feito a pedido da CNN pelo gabinete do deputado estadual Renan Ferreirinha (PSB) no sistema de compras do governo fluminense. Só durante a gestão Wilson Witzel, desde janeiro de 2019, o estado do Rio já celebrou documentos no valor total de R$125,6 milhões, para prestação de serviços de gestão administrativa e limpeza para Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec).

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O empresário também possuí “domínio velado” sobre organizações sociais que controlam unidades de saúde no Rio de Janeiro, segundo o MPF. De acordo com o MPF, Peixoto usou essa e outras empresas para construir uma complexa e sofisticada rede de lavagem de dinheiro, com dezenas de pessoas à frente de empresas para ocultar seu nome. 

O MPF afirma que ele é o chefe de uma organização criminosa “em franca atuação” e que continua arrecadando “quantias milionárias dos cofres públicos estaduais, inclusive na área de saúde”. Na denúncia apresentada à Justiça, o MPF aponta que a organização criminosa tentou expandir sua influência para fraudar contratos de gestão de hospitais de campanha.

A Lava Jato encontrou provas de que pessoas ligadas à Peixoto tinham documentos com informações referentes a modelos de orçamentos e propostas de implantação dos hospitais de campanha no Rio. 

As investigações também revelaram que Mário Peixoto segue pagando propina para manter contratos de suas empresas com a Faetec e o Detran. No total, o MPF calcula que o governo do Rio pagou cerca de R$44 milhões às empresas de Peixoto só nos quatro primeiros meses de 2020.

Histórico

Na mesma operação que prendeu Peixoto, na quinta-feira, o ex-deputado estadual Paulo Melo também foi detido.

A operação Favorita investiga um grupo liderado por empresários que, por meio do pagamento de vantagens indevidas à Conselheiros do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Rio de Janeiro, a Deputados Estaduais e outros agentes públicos, se destaca há pelo menos 10 anos como um dos principais fornecedores de mão-de-obra terceirizada para o governo.

Peixoto foi preso em Angra dos Reis, na região da Costa Verde. Já Melo, que também é ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), cumpria prisão domiciliar e estava em sua casa em Saquarema, na Região dos Lagos, e foi levado pelos agentes para a sede da PF, na capital.

Witzel prometeu suspender contratos de empresas acusadas de corrupção na Saúde ."Determinei à CGE e à PGE que façam uma auditoria minuciosa de todos os contratos que existem no governo com essas empresas. Se forem encontradas irregularidades, os contratos serão cancelados. Caso haja participação de funcionários e servidores do governo, os mesmos serão exonerados", afirmou o governador.