'Governo federal não possui projeto claro para a Cultura', criticam ex-ministros

A pasta está sem comando desde quarta-feira (20) após a saída da atriz Regina Duarte

Da CNN em São Paulo
21 de maio de 2020 às 14:43

A atriz Regina Duarte deixou a Secretaria especial da Cultura na manhã de quarta-feira (20). Segundo a atriz, ela ganhou um "presente", que é comandar a Cinemateca Brasileira em São Paulo. De acordo com o presidente Jair Bolsonaro, a Regina Duarte sente falta da família em São Paulo e participará da transição. Desde então, a pasta está sem comando.

Os ex-ministros da cultura, o deputado federal Marcelo Calero (Cidadania-RJ) e o secretário Sérgio Sá Leitão analisaram o cenário do setor em entrevista à CNN. A secretaria trocou a liderança pela quinta vez em 17 meses. Ambos defendem que o perfil do novo ministro deverá ser de "absoluta integridade, conhecimento técnico da área, grande capacidade de gestão e diálogo".

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Primeiro a falar, Calero criticou a falta de clareza do governo federal quanto ao setor cultural e diz lamentar a falta de atenção do segmento no cenário atual do país.

"Acho que além para a troca de nomes que, por si só, já é um problema, falta de uma clareza em relação ao que o governo federal quer do setor cultural. A gente tem que lembrar que é um setor que não é só importante no ponto de vista civilizatório, mas é muito importante economicamente também e que precisa de políticas públicas específicas, conforme está na Constituição. É uma lástima que não tenhamos isso no centro das discussões da atuação do governo Bolsonaro", disse.

Leitão concordou com as falas iniciais do deputado e complementou dizendo que parece estar claro a falta de projetos para o setor cultural, o que paralisa as insituições públicas de cultura.

"As empresas foram emparelhadas com a nomeação de profissionais sem qualificação técnica como o Iphan, Funarte e tantas outras.  É impressionante que a gente tenha hoje mais de R$ 800 mi  no Fundo Nacional de Cultura e pouco mais de R$2 bi no Fundo Setorial do Audiovisual e esses recursos estarem parados. Neste momento de momento de pandemia esse montante ajudaria o setor", explicou. 

Questionados quanto questão política e ideológica, os ex-ministros afirmaram que o setor não 'possui lados políticos'.

"Tal afirmação não faz o maior sentido. Basta observar países que praticam políticas mais conservadoras e incentivam manisfestações culturais, como o Reino Unido, por exemplo. A política cultural precisa ser necessariamente plural e democrática", argumentou Leitão. "Trata-se de uma política de estado, é próprio da Cultura trazer essas inquietações e contestações, isso é normal", completou Calero. 

Sobre a possibilidade da indicação do ator Mario Frias para a pasta, o secretário disse que, apesar de apenas conhecer o trabalho, deseja que faça um excelente trabalho guiado pela integridade em sua gestão para que haja fortalecimento das atividades culturais.

Por sua vez, Calero reforçou que se deve focar no interesse público e não 'no interesse pessoal'. "Desejo muito sucesso para o Mário, caso ele seja escolhido, mas sempre lembrando que ele não estaria a serviço do presidente e sim, do Brasil", concluiu o deputado.