Empresa pagou hotel com parte de verba para hospital de campanha no RJ

O MP apura indícios de desvios de função dos recursos destinados às obras dos hospitais de campanha -- os gastos com hospedagem estão no rol da investigação

Leandro Resende e Ricardo Pereira, da CNN, no Rio de Janeiro
28 de maio de 2020 às 18:35 | Atualizado 28 de maio de 2020 às 18:36
Hospital de campanha para pacientes da Covid-19 no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro
Foto: Rogério Santana/Divulgação Governo do RJ (9.mai.2020)

A organização social Iabas, empresa responsável pela construção e gestão dos hospitais de campanha do governo do Rio de Janeiro, usou parte dos R$ 256 milhões que recebeu para as obras para pagar a hospedagem de seus funcionários em hotéis na Zona Sul do Rio. Essa informação consta de uma planilha com subcontratações feitas pela empresa para o hospital de campanha do Maracanã.

O documento foi encaminhado ao Ministério Público do Rio e está sob análise dos investigadores que apuram denúncias de corrupção na celebração do acordo entre a empresa e o governo do Rio. O MP apura indícios de desvios de função dos recursos destinados às obras dos hospitais de campanha -- os gastos com hospedagem estão no rol da investigação.

A rede de hotéis escolhida pela empresa possui três unidades na orla da Zona Sul, área nobre da capital fluminense. Os valores das diárias vão de R$ 330 a R$ 436.

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No total, até o dia 20 de maio, a Iabas fez 90 subcontratações de empresas que prestaram serviços como apoio administrativo, relacionamento com a imprensa e segurança, além de treinamentos para equipes de saúde, material de informática, compra de tomógrafos, geradores de energia, entre outros insumos e serviços. 

A CNN mostrou que, até o dia 11 de maio, a Secretaria Estadual de Saúde já havia repassado R$ 256 milhões para os hospitais de campanha -- mas que, até aquele momento, não havia nenhuma prestação de contas.

Em entrevista à CNN, o advogado da empresa, Gustavo Guedes, afirmou que como a Iabas é de São Paulo, foi necessário que uma equipe viesse para o Rio de Janeiro para atender ao contrato de gestão dos hospitais de campanha.

"Não há muitas opções de hotéis no Rio de Janeiro, mas os valores são insignificantes perto do montante total. A preocupação tem que ser com os respiradores. Os que compramos são mais baratos do que os de outros estados", afirmou Guedes.

Até agora, dos sete hospitais previstos, apenas o do Maracanã foi entregue. Previstas para esta semana, as unidades de São Gonçalo e Nova Iguaçu irão atrasar. A Secretaria de Saúde trabalha com a expectativa de que todos esses hospitais só sejam entregues na segunda quinzena de junho.