Deputados federais avaliam manifestações contra e pró-Bolsonaro


Sinara Peixoto da CNN, em São Paulo
01 de junho de 2020 às 09:27 | Atualizado 01 de junho de 2020 às 13:29

Os deputados federais Enio Veri (PT-PR) e coronel Chrisóstomo de Moura (PSL-RO) debateram o domingo de manifestações em São Paulo, que, de um lado, reuniu um movimento com torcidas organizadas de times rivais de futebol no estado – Palmeiras, Corinthians, São Paulo e Santos – contra Jair Bolsonaro e, do outro, militantes apoiadores do presidente. Os protestos seguiam pacíficos, mas houve tumulto quando os dois grupos se encontraram na avenida Paulista.

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Primeiro a falar, Verri criticou a postura do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) diante das manifestações. 

"Somos 70% da população, desde o espectro de direita e esquerda, que querem democracia e um país que discuta questões sobre a pandemia e não o desrespeito às leis e o incentivo à violência como tem feito o presidente. O que tivemos nesse fim de semana não foi apenas um ato de enfrentamento, são somas de fatores que começam a deslocar o papel do presidente Bolsonaro a ficar em um canto de minoria e tirando todo ego do seu discurso", disse.

Chrisóstomo de Moura disse estar 'bastante preocupado' com o foco dado ao presidente durante as manifestações.

"Em nenhum momento, ele [Jair Bolsonaro] tem tratado nada contra o país. Até mesmo nas reuniões com os deputados ele tem focado em conciliação e respeito à Constituição, e esta é a orientação que ele nos passa. Eu nunca vi, no Brasil, parlamentares e autoridades focarem tanto em um governo como estamos vivendo agora. Essas manifestações vieram ratificar isso. (...) Nós temos sim que focar no respeito à Constituição e é exatamente isso que nós temos buscado", explicou.

Questionado sobre a atuação da polícia militar em São Paulo, o coronel ponderou. "A polícia militar sempre age de acordo com os padrões legais e eu não vi, na manifestação, algo que fosse contrário a isso. Até por que as nossas polícias são preparadas para defender os valores morais e ontem ela agiu certamente contra aqueles que buscavam a 'quebradeira'. Já o outro lado, que tratava realmente da democracia, de se manifestar como qualquer cidadão buscando sempre a ordem, não realizou desta forma, ", disse.

Verri rebateu. "Segundo os jornais, porque eu não estava lá, havia manifestação dos dois lados, mas o lado que o deputado coloca como em defesa da democracia, estava com uma bandeira defendendo o neonazismo, segundo jornais. Pode ser mentira, mas tinha fotos da bandeira que estavam utilizando para defender o nazismo. "

"Só houve enfrentamento no final, quando já tinha acabado tudo, e mesmo assim o governador está tomando providências sobre exageros, porque houve, sim exagero por parte da corporação. Agora, as manifestações têm que ser em defesa da democracia dos dois lados", concluiu Verri.

Em entrevista à CNN no domingo (31), o embaixador da Ucrânia no Brasil, Rostyslav Tronenko, disse que a bandeira usada por manifestantes no protesto na Avenida Paulista, em São Paulo, não é nazista nem fascista, como circula nas redes sociais. O uso do símbolo por alguns manifestantes foi citado como possível causa para o início da confusão que terminou em confronto entre manifestantes e policiais militares.