Governo do Pará exonera secretário Peter Cassol após operação da PF

Peter Cassol é responsável pelas despesas da Secretaria de Saúde; veja imagens de dinheiro apreendido na casa do secretário

Da CNN
10 de junho de 2020 às 12:52
 

 

O Governo do Estado do Pará exonerou o secretário adjunto de gestão administrativa de Saúde, Peter Cassol. A Polícia Federal apreendeu dinheiro na casa do secretário na manhã desta quarta-feira (10).

A ação faz parte do desdobramento da operação que investiga possível fraude na compra de respiradores no estado do Pará. Segundo o governo, a exoneração não tem relação com as consequências cíveis e criminais.

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Também na manhã desta quarta, a corporação fez buscas em casas de outras pessoas físicas e jurídicas suspeitas de participarem das fraudes. Dentre elas, estão servidores públicos estaduais e sócios da empresa investigada. A polícia está, neste momento, na sede do governo do Pará, casa do governador Helder Barbalho (MDB).

Dinheiro apreendido na casa de Peter Cassol, no Pará durante operação que investiga fraude na compra de respiradores
Foto: Reprodução/CNN (10.jun.2020)

Segundo informações da PF, a compra dos respiradores custou ao Pará R$ 50,4 milhões. Desse valor, metade do pagamento foi feito de forma antecipada à empresa fornecedora dos equipamentos, sendo que os aparelhos, além de serem entregues com grande atraso, eram de modelo diferente do contratado e não serviam para o tratamento da Covid-19. Por isso, acabaram sendo devolvidos.

Em nota, o governo do Pará afirmou que apoia a operação da PF e que os recursos gastos na compra dos respiradores foram ressarcidos ao governo.

A Operação Bellum tem como objetivo apurar possíveis fraudes na compra de respiradores pelo governo do estado durante a pandemia do coronavírus.Bloq

Bloqueio de bens

O ministro Francisco Falcão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), afirmou ter indícios veementes na responsabilidade do  governador do Pará, Hélder Barbalho (MDB), em cometimentos de crimes contra a Fazenda Pública. A suspeita é a de que houve crime na compra sem licitação de respiradores para serem usados na rede hospitalar do estado.

Ainda de acordo com a decisão, o governador do Pará negociou direta e pessoalmente a compra de respiradores sem licitação, com pagamento antecipado de R$ 25,5 milhões.  A decisão aponta para indícios de crimes previstos na Lei de Licitações, prevaricação e corrupção passiva. Os bens do governador foram bloqueados pelo STJ.

(Edição: Marina Motomura)