Protesto em memória das vítimas da Covid-19 é atacado na Praia de Copacabana


Ricardo Ferreira Da CNN, no Rio de Janeiro
11 de junho de 2020 às 15:01 | Atualizado 11 de junho de 2020 às 15:52
Homem ataca protesto em memória das vítimas da Covid-19 no Rio

Homem ataca protesto da ONG Rio de Paz em memória das vítimas da Covid-19 na praia de Copacabana, no Rio

Foto: Divulgação - Fabiano Rangel - 11.jun.2020/Rio de Paz

Uma manifestação da ONG Rio de Paz, que instalou 100 cruzes ao lado de covas na areia da Praia de Copacabana para lembrar os mortos pela Covid-19, foi atacada por um homem contrário ao protesto. Enquanto ele removia as cruzes, um outro, que afirmava ter perdido um filho para doença, colocava os objetos de volta no lugar. A manifestação também é contra a condução atual do Governo Federal na situação de pandemia. 

"Meu filho morreu com 25 anos, saudável. O mesmo direito que ele tem de tirar eu tenho de botar", disse. Pelo menos 20 cruzes foram derrubadas pelo homem que passava pelo calçadão caminhando quando acontecia o protesto. "A praia é pública. Eu tenho o direito de tirar. Isso é um terror, criando pânico. Canalhas. A praia é nossa", afirmava, enquanto derrubava as cruzes. O homem chegou a ser aplaudido por algumas pessoas.

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Houve uma discussão entre eles, mas os manifestantes não reagiram.  "Meu filho morreu com 25 anos e esse aí está de palhaçada", referindo-se ao senhor que derrubava as cruzes e ostentava a bandeira do Brasil. "Quem é que tá de palhaçada aqui?", retrucou o homem que atacou o protesto. "É palhaçada, sim. Respeita os outros. A manifestação é dos outros", gritou o pai, indignado.

Protesto em Copacabana

ONG Rio de Paz instalou cruzes na Praia da Copacabana para lembrar mortos pela Covid-19

Foto: Reprodução/Twitter/riodepaz

"Pela primeira vez vivemos isso. Nunca fomos tanto objeto de ódio nas redes sociais. Fizemos dezenas de manifestações nos governos Lula, Dilma, Pezão e Cabral e nunca vivemos essa experiência. O nível de ódio mostra que a paixão político-ideológica representa uma ameaça à democracia", disse Antônio Carlos Costa, presidente da ONG Rio de Paz.

O Rio de Janeiro é o estado que tem a maior taxa de letalidade da doença, com 9,5%. A ocupação de leitos de UTI para pacientes com suspeita ou confirmação da Covid-19 é de 95%. O número de casos de Covid-19 no estado já chega a 74.373 e o número de mortes, a 7.138.