Escolas privadas já estão prontas para receber alunos, diz federação

O pedido de volta às aulas vem de federação que representa 43 mil escolas; mais de 11 milhões de estudantes das privadas são da educação infantil e fundamental

Paula Forster Da CNN, em São Paulo
21 de junho de 2020 às 18:56 | Atualizado 21 de junho de 2020 às 19:12

No Brasil, cerca de 15 milhões de estudantes estão matriculados em instituições de ensino particulares (considerando o ensino infantil, fundamental e médio).

Segundo a Federação Nacional das Escolas Particulares (Fenep), as instituições já estão prontas para retomar as atividades presenciais de modo seguro e gradual.

“Há mais de 40 dias preparamos um plano de retorno, que engloba protocolos de três eixos: o de saúde, que foi pensado junto com a Sociedade Brasileira de Infectologia; o pedagógico, que considera um ensino híbrido, pensando que nem todo mundo vai querer ou poder voltar para a escola agora; e o jurídico, que abrange às questões trabalhistas, civis e criminais”, explica o presidente da Fenep, Ademar Batista Pereira. 

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Entre as recomendações que constam no protocolo de saúde está a distância de 1,02 m entre estudantes e professores em todas as atividades realizadas; disponibilização de álcool em gel 70% em todos os espaços físicos do estabelecimento; fiscalização do uso de máscara enquanto estiverem nas dependências do colégio e medição de temperatura no momento do ingresso na instituição.

O protocolo recomenda que todos levem máscara de pano adicionais para troca a cada três horas e toalha de mão para evitar o compartilhamento; considera ainda que os alunos e funcionários que se enquadrarem no grupo de risco da Covid-19 permaneçam em casa e não retomem às atividades presenciais. 

O pedido da federação, que representa 43 mil escolas de todo o Brasil, vem no contexto de reabertura econômica da maioria das atividades e sob uma das justificativas de que as instituições de ensino são, muitas vezes, um apoio para os pais que precisam trabalhar. Mais de 11 milhões dos estudantes das escolas privadas são da educação infantil e do ensino fundamental, ou seja, alunos cuja faixa etária ainda dependem dos cuidados da família. 

Erika Dias, mãe de um estudante de 10 anos, é a favor do retorno: “Meu filho está no quinto ano do ensino fundamental. Acredito que adotando os devidos cuidados é possível voltar para a escola, até porque são muito mais eficientes do que as aulas remotas”, conta. Já Wellington de Amorim, pai da Luiza, aluna do sexto ano, não é a favor do retorno. “Conversando com minha esposa, a gente não se sente seguro. Sabemos da gravidade desta doença e gostaríamos que as aulas continuassem por esses meios remotos”, diz. 

Para os pais que se sentem inseguros ou para os estudantes que se enquadram no grupo de risco, o protocolo pedagógico garante que as escolas devem desenvolver um plano de trabalho remoto. 

A equipe de reportagem da CNN esteve em um colégio tradicional da zona sul da cidade de São Paulo que já está adotando os cuidados para o atendimento aos pais: medição de temperatura; uso obrigatório de máscara para entrada no colégio; tapete químico; uso do álcool em gel e a distância das cadeiras no atendimento.

Para o retorno às aulas, a instituição fará a reposição do álcool em gel, o remanejamento e desinfecção de carteiras e mesas das salas de aula e, alguns dias antes, terá a higienização completa da instituição. Os estudantes também vão ter que medir a temperatura antes de entrar na instituição.