São Paulo estima mais de 1,16 milhão de casos de Covid-19 na capital


Lara Mota e Carla Bridi, da CNN, em São Paulo
23 de junho de 2020 às 12:52 | Atualizado 23 de junho de 2020 às 13:35
Pessoas com máscaras de proteção contra o coronavírus em região comercial de SP

Pessoas com máscaras de proteção contra o coronavírus em região comercial de São Paulo

Foto: Amanda Perobelli/Reuters (11.jun.2020)

A prefeitura de São Paulo divulgou os resultados parciais do chamado "inquérito sorológico", que testou mais de cinco mil moradores da cidade na última semana, para identificar se há subnotificação de casos da Covid-19 na cidade.

A amostragem revelou que o número de infectados representa 9,5% da população. Ou seja, dos mais de 12 milhões de habitantes da capital paulista, pelo menos um 1,16 milhão deles tiveram contato com a doença.

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Segundo o secretário municipal de saúde de São Paulo, Edson Aparecido, o objetivo esses exames é estimar a real letalidade na cidade e direcionar estratégias. "Esse inquérito epidemiológico nos deu resultados bastante importantes para o enfrentamento da pandemia até agora", disse. 

3,3 milhões de domicílios entraram na base para os sorteios na primeira etapa de testes. Foram sorteados pacientes de 472 Unidades Básicas de Saúde, indicados de acordo com um cruzamento de dados que inclui, por exemplo, o programa Saúde da Família.

O cálculo amostral teve 5664 indivíduos e indicou a prevalência do vírus em 9,5% da população, com uma margem de erro de 1,7%. Segundo a prefeitura de São Paulo, a confiabilidade dos resultados é de 95%.

A prefeitura divulgou ainda a prevalência da doença por região da capital. Na região Leste, a mais afetada, o índice é de 12,5%. Centro e Oeste marcam 10,7%. Norte registra 8,4%, Sudeste, 8,2 e, por último, a região Sul atinge 7,5%.

A estimativa de que 1,16 milhão de pessoas têm anticorpos para COVID-19 na capital é muito diferente do número de casos oficialmente confirmados até o dia 21 de junho: 118.708.

Na última segunda-feira, o número de casos do novo coronavírus passou de 9 milhões em todo o mundo, segundo a universidade Johns Hopkins.

O Brasil segue entre os mais afetados pela doença, com 1.083.341 registros e 50.591 mortes, atrás apenas dos Estados Unidos. Essa nova projeção feita pela prefeitura de São Paulo colocaria o país em outro patamar.

Hospitais de campanha

O secretário Edson Aparecido defendeu que a cidade de São Paulo, que se encontra na fase laranja de flexibilização da quarentena do plano estadual, implementou o processo de reabertura “de maneira muito sólida”. 

“A taxa de ocupação dos leitos de UTI exclusivos para coronavírus chegou a 94% na cidade. A média semanal de pedidos de leitos de UTI, desde 21 de maio, passou de 52 pedidos por dia para 14 por dia. Isso se deve não só pelo aumento no número de leitos, mas pelo acompanhamento feito pelo sistema de saúde com esses pacientes”. 

Questionado sobre a possibilidade do fechamento do Hospital de Campanha do Pacaembu antes da data de 30 de julho, prevista no contrato, Aparecido afirmou que os números ainda precisam ser consolidados. “Estamos há 15 dias com cenário de estabilidade. Nesse momento, é mais importante reforçarmos o sistema de saúde”.  

Tanto o hospital do estádio do Pacaembu quanto o do Anhembi, ambos de administração municipal, não tiveram 100% dos leitos ocupados, e a taxa vem caindo. De acordo com aparecido, a cidade de São Paulo já registrou 97.473 altas. Entre elas, 3.496 no Anhembi e 1.161 no Pacaembu. 

Monitoramento de casos leves

Até a noite desta segunda-feira havia 246.892 casos suspeitos de coronavírus em São Paulo. Desses, 176.258, o equivalente a 71,4%, estão sob monitoramento do sistema de saúde. A intenção do inquérito sorológico, afirmou Aparecido, além de contabilizar os casos, é evitar que os casos leves se agravem sem o devido acompanhamento. Entre 10% e 15% dos pacientes leves podem piorar. 

Questionada pela CNN sobre a possibilidade de uma ação semelhante ser realizada com pacientes que ainda estão infectados pela doença, por meio de testes RT-PCR, a secretária adjunta de Saúde, Edjane Torreão, afirmou que o inquérito tem como objetivo proteger pessoas suscetíveis, e os mais de 200 mil pacientes de casos suspeitos que se direcionaram às UBS para atendimento foram testados com o RT-PCR. 

“O inquérito nos dá a segurança de que a partir daqui não tenho mais 246 mil casos suspeitos de Covid, mas tenho sim quase 1 milhão e 200 mil pessoas com anticorpos. Se a curva de casos no momento da coleta der positivo, significa que aquele paciente ainda está numa fase aguda, da mesma forma de quem tem um IGM positivo, e assim será monitorado”.