Governo acelera obras de infraestrutura para amenizar impacto da pandemia no PIB


Leandro Magalhães Da CNN, em Brasília
29 de junho de 2020 às 11:44 | Atualizado 30 de junho de 2020 às 11:00
Viaduto da BR 281, em MG

Viaduto da BR 262, em MG

Foto: Divulgação/Minfra

 
Mesmo com a queda do PIB (Produto Interno Bruto) de 1,5% no primeiro trimestre, parte em função da pandemia da Covid-19, o governo federal aposta acelerar o ritmo de obras para ampliar a distribuição de produtos e manter empregos na construção civil. O Ministério de Infraestrutura, cujo orçamento previsto para este ano é de mais de R$ 8 bilhões (sem emendas e contingenciamentos), menor em comparação a 2019 e 2018, é a pasta responsável por destravar 450 obras em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos.

Segundo levantamento feito pela CNN, a pasta — que detém o 5º maior orçamento entre os demais 22 ministérios — entregou uma média de duas obras a cada semana desde 1º de março, período da pandemia da Covid-19, até três de maio, o que corresponde a 21 obras.

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A lista inclui 202,6 quilômetros de duplicação, pavimentação ou restauração em rodovias federais; inauguração de obras nos aeroportos em Fortaleza, no Ceará, e em Navegantes, em Santa Catarina; além da ampliação e construção de portos.

Na Bahia, o terminal de contêineres do Porto de Salvador, principal entrada de produtos e insumos consumidos naquele estado, foi ampliado. No município de Parintins, no Amazonas, a construção de um pequeno porto da Vila Amazônia facilitou a chegada de insumos, medicamentos, alimentos para mais de 8 mil pessoas. A obra proporcionou mais segurança a embarques e desembarques de passageiros em uma região de difícil acesso.

Entre as obras de duplicação de rodovias, está a BR-381, em Minas Gerais, conhecida como “Rodovia da Morte”, onde a média de acidentes por dia chega a um, segundo dados da Polícia Rodoviária Federal. A meta do governo é duplicar 200 quilômetros de rodovia.

Apenas no primeiro semestre deste ano, o governo já gastou cerca de 3 bilhões de reais, de R$ 6,4 bilhões disponíveis para executar obras até o fim do ano, em manutenção e duplicação de estradas.

 Os valores são do DNIT, Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, previstos na LOA (Lei Orçamentária Anual) com recursos de emendas parlamentares.

Em três meses, nenhum caso de Covid-19 nas obras

Segundo a assessoria do Ministério de Infraestrutura,  até o momento, nenhum trabalhador de campo foi diagnosticado com o Covid-19 nas obras monitoradas pelo DNIT. Por já usarem equipamentos de proteção individual, operários da construção se adaptam mais facilmente aos novos EPIs e às medidas de proteção nos canteiros de obra.

 
Para o ministro de Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, as obras em andamento no País estão entre as que mais geram postos de trabalho por volume de investimentos.

 “As obras ajudam a aquecer toda a cadeia da construção civil criando postos de trabalho indiretos. O desenvolvimento da infraestrutura também tem impacto imediato no Custo Brasil, ajudando a reduzir gastos com transporte e tornando produtos brasileiros mais competitivos no mercado internacional e mais baratos no mercado interno”.

De acordo com o titular da pasta, após a pandemia o ministério deve aumentar ainda mais o número de obras pelo País para ajudar a aquecer a economia.

“O Ministério da Infraestrutura recebeu uma demanda da Casa Civil, no âmbito do Pró-Brasil, e mapeou todos os empreendimentos que podem ser acelerados mediante aporte de recursos, bem como obras com projeto e licenciamento adiantados que podem ser iniciados. A previsão é gerar até um milhão de empregos”, ressaltou.

Até dezembro, o Ministério da Infraestrutura planejou entregar mais de 54 obras.  O cronograma de entrega está em dia, garante a pasta. Na lista das futuras entregas estão a 2ª Ponte sobre o Guaíba, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul; a conclusão da ponte sobre o Rio Madeira (BR-364) em Rondônia; o encabeçamento da 2ª Ponte sobre o Rio São Francisco (BR-101) em Sergipe;  duplicação de trechos na BR-116 no Rio Grande do Sul, BR-101, no Nordeste e BR-381 em Minas Gerais, além de obras em aeroportos regionais e melhorias em portos.