Polícia da Bahia fará reconstituição da morte do miliciano Adriano da Nóbrega

Objetivo é confrontar a versão dada pelos policiais, que alegaram que ele teria reagido a prisão

Daniel Motta, CNN, em São Paulo
30 de junho de 2020 às 20:31
Adriano da Nóbrega
Foto: Divulgação/Polícia do Rio

A Polícia Civil da Bahia vai fazer uma reconstituição da morte do miliciano Adriano da Nóbrega, na cidade de Esplanada, onde aconteceu o crime. Policiais envolvidos na operação que terminou com a morte do ex-capitão do Bope do Rio de Janeiro serão convocados para participar da reprodução simulada. O objetivo da reconstituição é para confrontar com a versão dada pelos policiais, que alegam que Adriano da Nóbrega teria reagido a prisão e atirado contra os militares.

Por conta da pandemia do novo coronavírus, o inquérito que investiga as circunstâncias da morte do miliciano ainda não tem data para ser concluído. O Ministério Público concluiu a perícia nos celulares encontrados com ele e as informações coletadas estão em segredo de justiça.

A morte de Adriano da Nóbrega aconteceu em fevereiro desde ano e desde então, a secretaria de segurança pública da Bahia não conseguiu ainda descobrir o que de fato aconteceu na cena do crime - a fazenda Palmeiras pertence a Gilson batista Lima Neto, vereador do PSL, conhecido como Gilsinho da Dedé.

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“A investigação segue sob sigilo. Vamos fazer uma reprodução simulada, mas pós pandemia. Temos a versão dos policiais do confronto e a reprodução simulada confirmará ou não. Temos que esperar para evitar aglomeração de policiais”, disse a SSP em resposta à CNN.

O Ministério Público da Bahia que também investiga o caso disse que por conta do isolamento social decorrente da pandemia, foi formado um grupo de promotores para acompanhar as investigações.

“O Ministério Público do Estado da Bahia (MPBA) informa que, por meio de um Procedimento Investigatório Criminal, está envidando todos os esforços para produzir as provas necessárias ao esclarecimento dos fatos, mesmo em meio ao isolamento social e às adversidades impostas pela pandemia. Para tanto, designou-se um grupo de Promotores de Justiça que está atentamente acompanhando o caso”, respondeu o MPBA à CNN.

Perícia em celulares foi concluída

No dia da operação em que o miliciano foi morto, a polícia encontrou 13 celulares. Os equipamentos foram encaminhados ao Ministério Público do Rio de Janeiro para uma perícia e busca por provas que ajudem a explicar o envolvimento dele com a milícia e com o suposto esquema de ‘rachadinha’, do gabinete do senador Flávio Bolsonaro.

O Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado – GAECO do Ministério Público do Rio de Janeiro disse à CNN “que os celulares que pertenciam a Adriano da Nóbrega já foram periciados. Por ordem judicial o caso está sob sigilo, razão pela qual o conteúdo não poderá ser divulgado”.

O caso

Ex-capitão do Bope, Adriano era apontado como chefe da milícia Escritório do Crime, que atua na zona oeste do Rio de Janeiro e é investigado pelo Ministério Público do estado por suposto envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em março de 2018.

Na investigação do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a mãe e a esposa do miliciano aparecem como funcionárias do gabinete de Flávio Bolsonaro na Alerj, quando ele era deputado estadual. Segundo relatório do Coaf, além da mãe, Raimunda Veras Magalhães, e a esposa dele, Danielle Mendonça da Costa da Nóbrega, também trabalhou no gabinete e recebia um salário de quase R$ 5,2 mil, a mesma quantia da mãe do miliciano.

Segundo relatório do MPRJ, Adriano e família teriam transferido mais de R$ 400 mil para as contas de Fabrício Queiroz.