Preso que aguardava julgamento em Minas Gerais morre por Covid-19

Lucas Morais da Trindade foi condenado em primeira instância após ser detido por suposto tráfico de drogas

Giovanna Bronze, da CNN, em São Paulo
10 de julho de 2020 às 10:58 | Atualizado 10 de julho de 2020 às 11:09
Trindade foi condenado em primeira instância após ser detido por suposto tráfico de drogas
Foto: Arquivo / Agência Brasil

Um homem negro de 28 anos que estava preso em Manhumirim, no interior de Minas Gerais, morreu por Covid-19 no dia 4 de julho. Lucas Morais da Trindade aguardava o julgamento do recurso de apelação, programado para 28 de julho, segundo o advogado dele, Felipe de Oliveira Peixoto.

Trindade foi condenado em primeira instância após ser detido por suposto tráfico de drogas ao portar cerca de 4 gramas de maconha.

Depois da condenação, o caso teve os habeas corpus negados, mas ainda cabia a possibilidade de recurso. O novo julgamento, conforme informou o advogado à CNN, “poderia anular a decisão” e tirar o preso da cadeia.

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Segundo o boletim de ocorrência, Trindade foi encontrado caído na cela por volta das 10h e então foi encaminhado ao Hospital Padre Júlio Maria pelos policiais penais. Ele testou positivo para o novo coronavírus no dia 28 de junho.

Ainda de acordo com o BO, Trindade foi atendido no hospital com parada cardíaca, mas acabou morrendo. Na certidão de óbito, a declaração é que a morte foi causada por Covid-19.

Peixoto disse que Lucas não tinha comorbidades e não se enquadrava em um dos grupos de risco da doença.

Em nota, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), por meio do Departamento Penitenciário de Minas Gerais (Depen MG), informou "que a causa da morte de Lucas Morais da Trindade, de 28 anos, segue em investigação".

Ele cumpria pena em regime fechado desde novembro de 2018 e estava sendo acompanhado pela equipe de saúde da unidade prisional, desde o dia 25 de junho, quando foi diagnosticado com a doença por meio de um teste rápido.

A Secretaria disse também que ele não apresentou sintomas até o dia 3 de julho, não tinha histórico de outras doenças e não fazia uso contínuo de medicamentos. 

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