Mourão admite que operação na Amazônia pode não impactar desmatamento este ano

"Começou tarde, lógico. O começo em maio vai nos dar uma melhor situação em relação a queimadas, mas não ao desmatamento", disse o vice-presidente

Lisandra Paraguassu, da Reuters em Brasília
10 de julho de 2020 às 17:45
O vice-presidente Hamilton Mourão
Foto: Ueslei Marcelino - 17.abr.2020/Reuters

O vice-presidente Hamilton Mourão, coordenador do Conselho da Amazônia, admitiu nesta sexta-feira que o governo começou tarde a ação contra o desmatamento na região e poderá não ter bons resultados este ano.

"Começou tarde, lógico. O começo em maio vai nos dar uma melhor situação em relação a queimadas, mas não ao desmatamento", disse o vice-presidente.

O governo implementou uma operação de Garantia da Lei e da Ordem para operar na Amazônia Legal a partir de maio deste ano, renovada nesta sexta até novembro deste ano. Mourão admite que a operação deveria ter começado em dezembro de 2019 para ser efetiva contra desmatadores.

"Eu já coloquei para vocês que as ações contra o desmatamento tinham que ter começado em dezembro do ano passado, que é quando ele começa efetivamente", disse. "Tenho colocado também que vamos prosseguir nesse tipo de trabalho até o final de 2022 ou até que a turma que desmata se dê conta que não dá para fazer isso."

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Os números do desmatamento do mês de junho, revelados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) nesta sexta, mostram que o desmatamento continua acelerando no país pelo 14º mês consecutivo. Em relação a junho de 2019, quando a retirada e mata nativa já havia batido recordes, o avanço foi de 10,7%.

Nos primeiros seis meses do ano, a área desflorestada cresceu 25%, chegando a 3.066 quilômetros quadrados.

Mourão reafirmou que o governo precisa encontrar soluções permanentes para a fiscalização na Amazônia Legal, para além da GLO.

"O Ibama hoje tem 300 fiscais, como você vai operar com 300? E os fiscais não estão na Amazônia. Vamos lembrar que tem o cara que está em Abrolhos, tem o outro que está no parque de Aparados da Serra, outro em Foz do Iguaçu... a gente precisa contratar gente. Ou tirar a turma que está no serviço administrativo, no ar condicionado, e botar no meio da selva", disse.

"Porque o que acontece hoje: um faz concurso para fiscal, outro para agente administrativo. A gente precisa ver os que estão em excesso e dizer, olha aqui, vamos passar para a fiscalização. Hoje eu não tenho flexibilidade para isso", acrescentou.

De acordo com o próprio Ibama, o órgão tem na verdade cerca de 700 fiscais.