Polícia indicia acusado de matar Marielle por tráfico internacional de armas

Ronnie Lessa e sua mulher, Elaine Lessa, prestam depoimento na terça-feira (14); filha dele também foi indiciada

Thayana Araújo e Leandro Resende, da CNN no Rio
13 de julho de 2020 às 12:13 | Atualizado 13 de julho de 2020 às 14:46
Ronnie Lessa
Foto: Divulgação

A Polícia Civil do Rio indiciou por tráfico internacional de armas o ex-PM Ronnie Lessa, acusado de matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes. Sua filha, Mohana Lessa, também foi indiciada. A CNN teve acesso ao relatório feito pela Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos, que será encaminhado ao Ministério Público. 

Ronnie Lessa e sua mulher, Elaine Lessa, prestam depoimento amanhã à 19a Vara Criminal. Ele responderá por posse ilegal de arma de fogo e acessório de uso restrito.Ela é acusada pelo Ministério Público do Rio de liderar o grupo que obstruiu as investigações ao se desfazer de armas de Lessa após sua prisão, em março de 2019. 

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A investigação por tráfico internacional de armas  foi aberta quando a polícia encontrou peças de réplicas de 117 fuzis na casa de Alexandre Mota de Souza, amigo de Ronnie Lessa, no dia em que o ex-policial foi preso por envolvimento na morte de Marielle Franco. Em depoimento, Lessa disse que as peças de armas eram dele.

No relatório, assinado pelo delegado Marcus Amim, há a informação de que Lessa “tinha por costume comprar peças e acessórios de arma de fogo em sites na internet e enviá-los para o endereço em que sua filha, Mohana Lessa, morava nos Estados Unidos”. 

O MP informou que o inquérito ainda não deu entrada no protocolo das Promotorias de Justiça de Investigação Penal Especializada Núcleo Rio de Janeiro.

Preocupação com envio de armas

A partir de mensagens trocadas entre Ronnie e sua filha, a polícia conclui que o réu pela morte de Marielle tinha grande preocupação com a forma de envio das armas. Outro ponto levado em consideração pela investigação é o fato de, nas quebras de sigilo telemático de Ronnie Lessa durante as investigações da morte de Marielle, há grande  quantidade de procura de sites relacionados a armas e peças de armas, demonstrando o grande interesse por  obter e importar armamentos. 

Os investigadores também levantaram que Ronnie Lessa usava nomes falsos em um site de compras na internet com vendedores de vários países no mundo para comprar peças de fuzis. Usando o nome de “Janilton Lessa”, Ronnie comprou, em diversos canos de fuzil, um mês após a morte de Marielle. 

Procurada pela CNN, a defesa de Lessa disse que vê o indiciamento como "absurdo" e nega as acusações contra Mohana. "Qualquer material que ela mandasse, para o pai, para a mãe ou para alguém são todos materiais com notas fiscais e passava pelo crivo da Receita Federal no território americano e no território brasileiro. E só chegava ao destino final se tivesse autorização das duas Receitas, se fosse material legalizado.", explica o advogado Fernando Santana.