'Melhor pecar pelo excesso', diz Marinho sobre retirada de famílias em Jati


Da CNN, em São Paulo
22 de agosto de 2020 às 20:21 | Atualizado 22 de agosto de 2020 às 20:24

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, afirmou que o governo preferiu pecar pelo excesso ao decidir pela evacuação de duas mil pessoas após o rompimento da barragem de Jati, no Ceará. A falha ocorreu na sexta-feira (21). A barragem faz parte do eixo norte da transposição do Rio São Francisco, inaugurado em junho pelo presidente Jair Bolsonaro

"Melhor pecar pelo excesso e preservar vidas. Não podiamos ontem às 21h, ainda com fumaça, névoa, o problema do cascalho e sem visibilidade, tomar uma decisão diferente da tomada", disse ele em entrevista à CNN. "Estamos fazendo todo o levantamento para verificar o problema. Qualquer que tenha sido, quem deu causa será responsabilizado e serão de 30 a 40 dias para termos o resultado".

Segundo o ministro, os trabalhos estão acontecendo para que as pessoas possam voltar às suas casas em até 72 horas. O martelo deve ser batido no próximo domingo à tarde.

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Marinho ainda afirmou que, ao tomar conhecimento do acidente, se dirigiu ao local, e lá viu que o problema não foi com a barragem. Na verdade, a falha ocorreu com a adutora, que jogou um jato d'água na barragem e, aí sim, corroeu parte da parede da barragem. 

"Quando abrimos as comportas na quinta-feira (20), a pressão da água de alguma forma desregulou o sistema, deve ter fechado o duto embaixo e isso explodiu a tubulação de cimento e a pressão da água se deu contra a parede da barragem", diz ele. "Como a água inundou a parte elétrica, não tivemos condição de desligar imediatamente o sistema, demorou em torno de quatro horas e meia."

O ministro falou da complexidade do projeto de transposição do São Francisco e que esse tipo de incidentes são normais.

"Essa é a maior obra de engenharia que o Brasil dispõe. Certamente tem a possibilidade de incidentes". Assista à íntegra acima.