Com queimadas, Mato Grosso do Sul decreta estado de emergência ambiental


Giovanna Bronze, da CNN, em São Paulo
14 de setembro de 2020 às 13:57 | Atualizado 14 de setembro de 2020 às 14:13

O estado do Mato Grosso do Sul decretou, nesta segunda-feira (14), estado de emergência ambiental por causa das queimadas na região. A medida foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado e é válida por 90 dias.

Na publicação, o decreto do governador Reinaldo Azambuja leva em consideração que o fogo já atingiu todos os setenta e nove municípios do estado, assim como o aumento de atendimentos nos postos de saúde em decorrência de problemas respiratórios, e que a área atingida já ultrapassa de 1.450.000 hectares.

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Foto: Reprodução/CNN

As queimadas afetam, principalmente, os três biomas que compõem o Mato Grosso do Sul: Pantanal, Cerrado e Mata Atlântica.

O decreto também autoriza a mobilização de todos os órgãos estaduais para combaterem o incêndio, a reabilitação do cenário e a reconstrução, sob o comando da Coordenadoria Estadual de Defesa Civil.

Uma das medidas colocadas no decreto também permitem que os agentes da defesa civil possam entrar nas casas dos moradores para prestar socorro ou determinar evacuação, assim como usar propriedade particular em caso de perigo público.

Em entrevista à CNN, o secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico do MS, Jaime Verruck explicou a situação e as ações de combate do estado diante das intensas queimadas.

"A situação continua extremamente crítica no momento. Este decreto visa dar apoioa às ações da Defesa Civil. No norte do estado, na divisa com o Mato Grosso, a situação está bastante grave e no final de semana tivemos diversos pontos críticos em florestas plantadas. Com este decreto, nós esperamos um apoio adicional, além do Ministério do Meio Ambiente, também agora da Defesa Civil Nacional.", afirmou. 

"Prioridade neste momento é locação de aeronaves, de máquinas e caminhões-pipa, diárias para brigadistas, além de combustível. Então a gente quer intensificar, a partir de hoje, o maior número possível de uso de estruturas para que a gente possa combater o incêndio florestal", acrescenta.

Verruk também afirmou que, visando no resgate de animais silvestres, o governo do Estado lançou uma van para atendimento móvel para realizar  o primeiro atendimento em animais nos locais. 

"Nós temos ,aqui em Campo Grande, um centro de reabilitação de animais silvestres, de referência nacional. Vamos criar um Samu para animais silvestres, estamos enviando para o Pantanal a partir de hoje. Portanto, nós vamos criar esta estrutura para fazer este atendimento primário dos animal e, caso ele precise, deslocá-lo até  o centro de reabilitação de animais na capital", explica. 

"A estiagem cria toda a possibilidade de facilidade da expansão do fogo, mas ela tem que começar por algum lugar e ela não se inicia por fatos naturais. Aqui no estado nós também identificamos que 90% dos incêndios florestais se iniciaram por uma ação humana. Portanto, nós também estamos com a polícia, fazendo toda uma investigação", acrescentou. 

A medida foi anunciada em coletiva de imprensa com a presença do secretário nacional de Proteção e Defesa Civil, Alexandre Lucas Alves. Durante o evento, Alves anunciou que bombeiros de outros estados do Brasil serão movidos para ajudar no combate ao incêndio.

Segundo a plataforma de monitoramento de focos de incêndio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o Mato Grosso do Sul já acumula 7.493 pontos de queimadas em 2020, até o dia 13 de setembro.

O número já é maior do que o total acumulado ao longo dos anos de 2018 (2.380), 2017 (5.737),  2016 (6.373), 2015 (4.617), 2014 (2.214), 2013 (3.615), 2012 (7.428), 2011 (3.731), 2010 (7.356), 2009 (6.313), 2008 (4.830), 2006 (5.244), 2003 (5.612), 2001 (6.046) e 2000 (3.073).