Biólogo da USP analisa impactos ambientais com incêndios no Pantanal

Marcos Buckeridge, diretor do Instituto de Biociências da USP, disse que falta de planejamento preventivo pode levar a extinção de espécies da fauna e flora

Da CNN
19 de setembro de 2020 às 13:28

O Pantanal pode ser definido como o encontro de outros biomas. Isso porque, ele concentra características dos campos, Mata Atlântica e Cerrado, segundo explicou o biólogo Marcos Buckeridge, diretor do Instituto de Biociências da USP.

Em entrevista à CNN, o especialista disse que os incêndios descontrolados no Pantanal podem levar a extinção de espécies da flora e fauna, mesmo com a alta capacidade de regeneração da região.

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"Nesses últimos dias, chegamos a queimar o equivalente a 20 vezes a área da cidade de São Paulo. É a maior queimada que vimos até a agora, desde que começamos a medir na década de 90", afirmou.

Buckeridge disse que naturalmente campos e Cerrados queimam, mas a falta de políticas para controlar essas queimadas podem impactar irreversivelmente o bioma.

"Campos e Cerrado têm uma capacidade de recuperação muito alta. O problema nesse momento é a dimensão da queimada, porque vai haver uma redução muito grande das populações [de fauna e flora], e essa recupreração deve ser muita lenta. Talvez a gente perca algumas espécies", prospectou.

O professor também explicou a importância de planos e propostas claras por parte do governo, não apenas para controlar o incêndio atual, mas um projeto de preservação de longo-prazo, para auxiliar no processo de prevenção do bioma e para evitar novas queimadas. 

"Se não tivermos nosso governo colocando planos bem claros, com antecedência, sempre vamos ter que correr atrás: primeiro queima, depois vamos correndo atrás", afirma. "É muito complexo você lidar com o fogo nesses ambientes, precisamos de gente muito bem treinada e o custo é muito alto. Gastamos muito mais dinheiro correndo atrás do que aconteceu do que se fizéssemos um bom plano para evitar isso", analisou o biólogo.