Professores pedem suspensão de aulas presenciais no Colégio Militar de Brasília

A volta dos estudantes às salas de aula nesta segunda foi determinado na terça-feira passada (15) pelo Exército

Rudá Moreira, da CNN, em Brasília
20 de setembro de 2020 às 11:36
Primeiro dia de aulas no CED 01 da Estrutural, uma das escolas públicas do DF onde foi implementado o modelo cívico-militar
Foto: Marcelo Camargo 11.fev.2019/Agência Brasil

Os professores civis do Colégio Militar de Brasília (CMB) pedem a suspensão do retorno das aulas presenciais, previsto para esta segunda-feira (21). A volta dos estudantes às salas de aula nesta segunda foi determinado na terça-feira passada (15) pelo Exército para acontecer em todas os colégios militares do país.

A manifestação contrária à determinação do Exército se soma ao indicativo de greve do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) para o mesmo dia do retorno previsto, nesta segunda. No entanto, apesar de serem totalmente contra a retomada das aulas presenciais, o corpo docente do CMB não pretende aderir à greve.

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A coordenação da seção sindical do Colégio Militar de Brasília no Sinasefe informou à CNN que o número de professores em trabalho presencial atualmente não seria o suficiente para efetivar os planos de retorno dos alunos, já que os servidores do grupo de risco hoje estão isolados, em casa, como forma de prevenção à infecção pelo novo coronavírus. Foi aberta uma petição online para pedir o apoio de pais e alunos à suspensão da volta às aulas.

Em nota, os docentes do CMB argumentam que "o protocolo adotado não prevê testagem de estudantes, docentes e servidores" e que "a direção do Colégio Militar de Brasília não deixou claro em nenhum momento como se daria o cumprimento das medidas protocolares determinadas pela Justiça do Distrito Federal", como o fornecimento de máscaras adequadas e o limite de 50% dos alunos em sala de aula.

O indicativo de greve será debatido em assembleia geral do Sinasefe-DF, marcada para esta segunda-feira (21), mesma data marcada pelo Exército para o retorno presencial das aulas nos colégios militares, em circular interna, à qual a CNN teve acesso através do Sinasefe.

De acordo com o documento do Exército, "os Comandantes precisam ratificar a posição de que o melhor lugar que os alunos podem estar é na escola".

Ainda segundo a circular, o retorno será feito de forma escalonada, com separação dos alunos de acordo com os anos escolares. "O escalonamento doravante apresentado prevê uma média de 12 dias de aula para o ensino fundamental e de 16 dias, para o ensino médio", diz o texto da Diretoria de Educação Preparatória e Assistencial do Exército Brasileiro.

À CNN, o Ministério da Defesa disse em nota que o Exército brasileiro "orientou o planejamento da retomada das atividades presenciais, a partir do dia 21 de setembro de 2020, com rígida vigilância sobre os protocolos sanitários previstos para controle da pandemia da COVID-19".

A nota da Defesa diz ainda que: "em função de situações específicas relacionadas aos distintos lugares onde existem colégios militares, algumas adaptações e outras medidas poderão ser necessárias, implicando em eventuais alterações na programação de retomada daquelas atividades".

A CNN pediu um posicionamento oficial ao Colégio Militar de Brasília, mas não teve resposta até o fechamento desta reportagem.