Mortes violentas crescem 7,1% apesar da pandemia

Mortes violentas intencionais incluem homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais

Paula Martini, da CNN, no Rio
19 de outubro de 2020 às 09:54 | Atualizado 19 de outubro de 2020 às 10:00

O Brasil registrou 25.712 mortes violentas intencionais no primeiro semestre de 2020, de acordo com o 14º Anuário de Segurança Pública. O número representa um aumento de 7,1% na comparação com o mesmo período do ano passado, apesar do contexto de isolamento social por causa da pandemia da covid-19.

As mortes violentas intencionais incluem homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais.

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Carro da Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ)
Foto: Divulgação/PMERJ

A pesquisa mostra que o principal grupo de risco para a violência letal no país são os homens negros e jovens. Em 2019, 74,4% das vítimas de mortes violentas intencionais eram pessoas negras e  25,3% pessoas brancas.

Os negros também são as maiores vítimas de mortes provocadas pela polícia. De todos os mortos por intervenção policial no ano passado, 79% eram negros. Em contrapartida 65% dos policiais assassinados eram pretos ou pardos.

 Entre os tipos de violência intencional que apresentaram maior crescimento no primeiro semestre de 2020 estão os homicídios dolosos (8,3%) e as mortes decorrentes de intervenção policial (6%). 

Violência contra a mulher 

No primeiro semestre de 2020 o número de feminicídios teve alta de 1,9%. Os registros de violência doméstica caíram 9,9%, mas os chamados para 190 aumentaram 3,8%.


Em 2019, 66,6% das vítimas de feminicidio do país eram negras. O número de feminicidios chegou a 1.326, com um crescimento de 7,1% em relação a 2018.

Em 2019, a média era de uma agressão física contra mulher a cada dois minutos. Foram registrados 266.310 casos durante todo o ano.