Menos de 10 cursos superiores à distância alcançam nota máxima no Enade de 2019

Dos 8.368 cursos superiores avaliados, somente 511 tiveram nota máxima; destes, 9 são ministrados à distância

Natália André, da CNN, em Brasília
20 de outubro de 2020 às 09:41 | Atualizado 20 de outubro de 2020 às 15:23

Apenas 511 dos 8.368 cursos superiores avaliados pelo Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade), em 2019, alcançaram a nota máxima. Destes, 9 são ministrados à distância. Os resultados detalhados foram divulgados nesta terça-feira (20) pelo Ministério da Educação e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Por causa da pandemia, o Enade de 2020 foi cancelado. Ou seja, o próximo balanço só sairá em 2022, com o desempenho de 2021. Mas, os reflexos do novo coronavírus devem aparecer do mesmo jeito, já que as universidades estão tendo de se adaptar saindo das salas de aula e indo para as telas de computadores, celulares, através da internet.

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Sede do Ministério da Educação (MEC), em Brasília
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Em 2019, 165 cursos superiores à distância foram avaliados. Destes, 77 alcançaram as notas mais baixas, 1 e 2. Entre todos os tipos de curso, dos 6,1% que atingiram a nota 5, 417 são de instituições públicas, com a maior parte em federais (342). Quase 390 mil estudantes fizeram as provas.

O exame acompanhou cursos do Ano I, que são os de bacharelado em engenharia, arquitetura e urbanismo, saúde, ciências agrárias e áreas afins, e os tecnólogos em ambiente e saúde, produção alimentícia, recursos naturais, militar e em segurança.

O Enade é um exame feito por estudantes - ao final dos cursos de graduação - para avaliar conhecimentos, competências e habilidades desenvolvidas ao longo do curso. As notas vão de 1 a 5. O conceito 3 reúne a maior parte dos cursos. Aqueles que tiveram um desempenho menor do que a maioria recebem conceitos 1 ou 2. Já os que tiveram desempenho superior recebem 4 ou 5.

Perfil dos novos médicos


Por causa da pandemia, o INEP fez um recorte de análise do perfil dos estudantes de medicina e ele mostra uma realidade bem distante da brasileira. A média dos novos profissionais da saúde, que entraram no mercado de trabalho no ano do coronavírus, é formada por jovens de alta renda, com pais escolarizados e que não trabalharam enquanto se graduavam.

Dos quase 390 mil estudantes que fizeram a prova, 61% foram os primeiros da família a fazerem uma faculdade. Já entre os alunos de medicina, 47%, a maior parte, têm pais com ensino superior completo. Além disso, 91% não trabalharam. Entre os estudantes em geral, metade não trabalhou e outros 47% trabalharam mais de 40 horas por semana.

Norte fora do ranking


Um outro destaque feito pelo INEP foi de que a região Norte, dentre os cursos avaliados em 2019, não teve uma pontuação relevante. As regiões mais fortes foram: Sudeste, Sul e Nordeste.