Onça-pintada Ousado, ferida nas queimadas, retorna para seu habitat no Pantanal


Iuri Corsini*, da CNN, no Rio de Janeiro
20 de outubro de 2020 às 18:53
Onça Ousado

Onça Ousado, ferida em incêndios no Pantanal, é reinserida em seu habitat

Foto: Reprodução/ONG Ampara Animal

Após 36 dias e um longo tratamento, Ousado, a onça-pintada que se tornou símbolo dos animais queimados no Pantanal, retornou para sua casa nesta terça-feira (20), no Parque Estadual Encontro das Águas, no Pantanal mato-grossense, local onde ele havia sido encontrado no mês passado.

Ousado foi resgatado após sofrer diversos ferimentos durante uma séria de incêndios no Pantanal. A onça passou por tratamento no Instituto NEX, em Corumbá de Goiás (GO), com terapia de ozônio e laser, considerado um tratamento inovador, tendo como apoio a ONG Ampara Animal.

O animal foi resgatado no dia 11 de setembro por um helicóptero da Marinha e foi levado, inicialmente, para a Universidade Federal do Mato Grosso. Depois, ele foi encaminhado para Corumbá de Goiás-GO para seguir seus tratamentos.

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A onça recebeu alta no último dia 15 de outubro. A partir daí, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) em parceria com as instituições envolvidas no resgate, Ampara Animal/Silvestre, Secretaria do Meio Ambiente do MT, a Universidade Federal do Mato Grosso e o Panthera and Pantanal Relief Fund iniciaram os preparativos para soltar da onça no mesmo local em que ele foi encontrado.  

Nesta segunda-feira (19), Ousado foi anestesiado e recebeu um colar GPS-Satélite para monitoramento. O objetivo era avaliar e monitorar sua readaptação no retorno ao Pantanal. Hoje, então, Ousado foi transportado por via terrestre até Porto Jofre e depois de barco até o Parque Estadual Encontro das Águas, onde foi devolvido para sua casa, sob aplausos dos técnicos e biólogos que participaram da operação. 

O animal seguirá sendo monitorado para que seja avaliado sua readaptação ao ambiente que foi bastante impactado pelas queimadas. Seu retorno servirá, também, como modelo para análises sobre como as outras onças da região estão sobrevivendo.

*Sob supervisão de Maria Mazzei