Se for necessário, vamos recuar no Plano SP, diz secretário estadual de Saúde

Em entrevista à CNN, Jean Gorinchteyn ressaltou que é preciso que as pessoas respeitem as medidas sanitárias

Jéssica Otoboni, da CNN, em São Paulo
17 de novembro de 2020 às 10:35 | Atualizado 17 de novembro de 2020 às 11:09

 

O secretário estadual de Saúde de São Paulo, Jean Gorinchteyn, disse à CNN nesta terça-feira (17) que é preciso que as pessoas respeitem as medidas sanitárias pois, se for necessário, o governo vai recuar no Plano SP, o qual orienta a flexibilização da quarentena provocada pela pandemia de Covid-19 no estado. 

"Se nós precisarmos recuar, retroceder, isso será feito. Isso sempre foi dito. É importante que as pessoas entendam que hoje nós estamos em uma emergência sanitária", afirmou ele. "Nós sempre falávamos para as pessoas 'fiquem em casa'. Hoje estamos falando 'saiam com responsabilidade', 'saiam usando máscaras e evitem as aglomerações'."

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Jean Gorinchteyn, secretário estadual de Saúde de São Paulo
Foto: Reprodução - 17.nov.2020 / CNN

Gorinchteyn comentou sobre o aumento de 18% em relação a outubro no número de internações causadas pelo novo coronavírus no estado de São Paulo.

"Estamos muito atentos a esses números. Tivemos vários interferentes que não permitiram muitas vezes uma análise mais clara em relação ao número de casos porque tivemos uma instabilidade no sistema do Ministério da Saúde, que não aportou o número de casos", disse. "De repente nós vamos direto para uma elevação no número de internações, o que merece uma atenção muito especial e uma cautela muito grande."

Ele afirmou que nessa segunda-feira (16) seria feita uma "recalibragem" do Plano SP, com base nos dados do governo, que permitiria que mais de 90% da população do estado fosse para a fase verde, mas houve um recuo. "Achamos que isso seria muito preocupante, principalmente quando não estamos ainda com esses dados tão pautados que nos permitam progredir. Este é um momento de atenção."

Aumento de internações entre jovens e idosos

O secretário destacou que o número de internações aumentou não somente entre jovens, mas também entre idosos. "Quem mais circula e de forma mais despreocupada são os jovens, que se encontram nas baladas e festinhas. Dessa maneira, se contaminam e levam para suas casas."

Gorinchteyn disse que há uma estratégia no Plano SP baseada nos números de internações e de mortes, os quais definem medidas como restrição de movimento em certas regiões. "O Brasil não permite medidas restritivas como o lockdown (bloqueio total), isso está fora do contexto brasileiro", afirmou.

Sobre o avanço dos últimos meses nos protocolos de atendimento aos pacientes, ele disse que "hoje sabemos atender muito melhor do que no passado", tanto nas estratégias de medicações, quanto no momento de utilizá-las.

Questionado sobre um segundo plano para vacinação contra a Covid-19, além da Coronavac, ele respondeu que a "vacina da Sinovac e do Instituto Butantan é a que está mais avançada, a mais segura que temos, que não teve interrupção em nenhum momento por eventos adversos graves ou reações graves e é extremamente promissora". 

O secretário afirmou também que o problema na divulgação dos dados pelo sistema do Ministério da Saúde levou a um atraso de 14 dias na reclassificação do estado de São Paulo. "Nos próximos dias estaremos trazendo esses resultados, que são muito importantes e necessários para medidas mais rígidas, ou não, serem tomadas."