RJ: Força-tarefa da Lava Jato faz operação contra suposta extorsão na Receita

São cumpridos 46 mandados de busca e apreensão em residências, empresas e escritórios

Jéssica Otoboni, da CNN, em São Paulo
18 de novembro de 2020 às 06:54 | Atualizado 18 de novembro de 2020 às 10:56

 

Agentes da Polícia Federal, da Corregedoria da Receita Federal e do Ministério Público Federal (MPF) realizam nesta quarta-feira (18) no estado do Rio de Janeiro a Operação Armadeira 2.

A ação é coordenada por procuradores da força-tarefa da Lava Jato e investiga um suposto esquema de extorsão dentro da Receita Federal.

Os investigados são suspeitos de receber propina de alguns servidores da Receita – paga por empresários – para evitar fiscalizações ou para que fossem lavrados autos de infração com valores inferiores aos devidos. 

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Agentes da PF em prédio na Lagoa, zona sul do RJ, um dos endereços alvos da operação
Foto: Paula Martini - 18.nov.2020 / CNN

São cumpridos 46 mandados de busca e apreensão em residências, empresas e escritórios nos bairros da Lagoa, Jardim Botânico e Barra da Tijuca, na cidade do Rio de Janeiro, além de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Niterói, Silva Jardim e Teresópolis.

Em um dos endereços, os policiais apreenderam um computador, uma mochila e um malote. Em outro, encontraram joias e barras de ouro, além R$ 22,4 mil em espécie em um veículo (R$ 20 mil no porta-malas e R$ 2,4 mil no porta luvas).

Segundo as autoridades, o objetivo é "desarticular uma possível organização criminosa composta por agentes públicos, empresários e relacionados que tinha por finalidade suposta prática de concussão, corrupção e lavagem de dinheiro".

Joias encontradas em um dos endereços alvos da operação
Foto: Divulgação - 18.nov.2020 / Polícia Federal

A ação é um desdobramento da Operação Armadeira, deflagrada em outubro de 2019, que identificou, a partir do material apreendido e da colaboração premiada de um auditor fiscal, "um complexo arranjo que buscava reduzir a cobrança de tributos devidos ou blindar empresas de fiscalizações".

Os suspeitos podem responder pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) acompanham a operação.

(Com informações de Paula Martini, Isabelle Saleme e Thayana Araújo, da CNN, no Rio de Janeiro, e Vianey Bentes, da CNN, em Brasília)

Em um dos endereços, os policiais encontraram joias e barras de ouro
Foto: Divulgação - 18.nov.2020 / Polícia Federal