Lava Jato: PF faz operação no RJ e apura crimes na diretoria da Petrobras

Os agentes cumprem dois mandados de busca e apreensão em Angra dos Reis e Araruama, no Rio de Janeiro

Jéssica Otoboni, da CNN, em São Paulo
26 de novembro de 2020 às 06:45 | Atualizado 26 de novembro de 2020 às 11:09


A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (26) a Operação Sem Limites V, a 78ª fase da Lava Jato. Os agentes cumprem dois mandados de busca e apreensão nas cidades de Angra dos Reis e Araruama, no Rio de Janeiro. A ação conta com o apoio do Ministério Público Federal (MPF).

Os policiais investigam supostas "práticas criminosas cometidas na Diretoria de Abastecimento da Petrobras, especificamente na Gerência Executiva de Marketing e Comercialização", segundo a corporação.

Assista e leia também:
STF manda corregedoria apurar elos da Lava Jato de Curitiba com os EUA
STF decide que R$ 14 mi da Petrobras devem ser usados no combate ao desmatamento
Doleiros presos na Lava Jato voltam a detalhar esquema de propinas na Alerj

O principal investigado, um ex-funcionário da estatal, já foi alvo na Operação Sem Limites, a 57ª fase da Lava Jato, em dezembro de 2018. A ação visava o cumprimento de mandados de busca e apreensão e de prisão de membros de um grupo suspeito de praticar crimes envolvendo a negociação de óleos combustíveis e outros derivados entre a Petrobras e trading companies (intermediárias) estrangeiras.

A partir de acordos de colaboração premiada de executivos da empresa, estabelecidos com o MPF na ocasião, os agentes descobriram que o então funcionário da estatal teria recebido cerca de R$ 2,2 milhões entre 2009 e 2015. O objetivo era "favorecer a trading company em negociações de compra de combustíveis marítimos fornecidos pela Petrobras".

Em troca, ele receberia valores em espécie no Brasil, os quais depois seriam divididos com outros funcionários da estatal que também participavam do esquema.

As investigações apontam ainda indícios de que "outras empresas estrangeiras também teriam pago vantagens indevidas ao ex-agente público relacionadas a operações de compra e venda de combustíveis marítimos com a estatal brasileira".

Os suspeitos podem responder pelos crimes de corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

Polícia Federal faz operação no Rio de Janeiro
Foto: Isabelle Saleme - 18.nov.2020 / CNN

Demais fases da Operação Sem Limites

Na Operação Sem Limites II, a 71ª fase da Lava Jato, em junho de 2020, a PF identificou novos indivíduos que auxiliavam e faziam parte da organização criminosa criada com o intuito de lesar a Petrobras, principalmente na área de trading, junto a empresas estrangeiras e destinadas às atividades comerciais da estatal. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços da cidade do Rio de Janeiro, Petrópolis e Cabo Frio.

Já na Operação Sem Limites III, 76ª fase da Lava Jato, os agentes investigaram o suposto pagamento de vantagens indevidas a funcionários da Petrobras entre 2009 e 2013. Elas seriam uma "contrapartida ao favorecimento a empresas que atuavam no ramo de compra e venda de combustíveis marítimos (bunker e diesel marítimo), com as quais a estatal negociava para abastecimento de navios de sua frota no exterior", segundo a PF.

A Operação Sem Limites IV, por sua vez, a 77ª fase da Lava Jato, focou em investigar indivíduos acusados de práticas criminosas na antiga diretoria de abastecimento da Petrobras. Foram cumpridos mandados de busca e apreensão na capital fluminense e em Niterói. Os crimes teriam sido cometidos durante a negociação de óleos combustíveis e derivados entre a estatal e trading companies estrangeiras.

(Com informações de Julyanne Jucá, da CNN, em São Paulo)